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Animação japonesa "Belle" reencena "A Bela e a Fera" em realidade virtual | #CineBuzzIndica

Filme de Mamoru Hosoda estreia nesta quinta (27) nos cinemas

ANGELO CORDEIRO | @ANGELOCINEFILO Publicado em 25/01/2022, às 11h40

Animação japonesa "Belle" reencena "A Bela e a Fera" em realidade virtual | #CineBuzzIndica - Divulgação/Paris Filmes
Animação japonesa "Belle" reencena "A Bela e a Fera" em realidade virtual | #CineBuzzIndica - Divulgação/Paris Filmes

Não é de hoje que as animações japonesas caíram nas graças do público e, consequentemente, das distribuidoras que voltam seus olhos para as produções asiáticas com mais carinho pois é sabido que esse é um nicho que encontra seu mercado no Brasil. É por isso que “Belle”, nova animação de Mamoru Hosoda, diretor de “Crianças Lobo”, está previsto para chegar aos cinemas brasileiros em 27 de janeiro.

Do lado dos produtores, também há uma certa consciência, afinal, essas histórias precisam ser narrativamente e esteticamente interessantes aos olhos do público - tanto o ocidental quanto o asiático -, caso de “Belle”, animação cotada a uma indicação no Oscar de Melhor Animação não só porque é um filme visualmente belo, mas também porque é essa reestilização de “A Bela e a Fera”, uma história mundialmente conhecida e que se passa em um mundo virtual - algo mais atual que isso? - e que não abre mão de sua identidade artística nipônica.

Na história, a jovem Suzu, de 17 anos, é uma estudante do ensino médio que mora em uma aldeia rural com o pai. Como qualquer adolescente, Suzu tem dificuldades de se expressar, até que um dia, ela entra em “U”, um mundo virtual de 5 bilhões de membros na internet. Lá, ela não é mais Suzu, mas Belle, um avatar feito com base em suas características físicas e psicológicas que carrega um de seus principais dons: o da música. Quando uma criatura conhecida como “Fera” interrompe uma de suas apresentações, Suzu e seus amigos partem em uma jornada de aventuras, desafios e de amor, em busca de descobrir quem é a pessoa por atrás daquela criatura.

Essa óbvia reencenação de “A Bela e a Fera” que coloca Belle em busca da Fera serve como um ótimo ponto de partida para a premissa de “Belle”. É fácil de se empatizar pela figura frágil e tímida de Suzu, ainda mais quando um segredo de seu passado nos é revelado. Já no mundo virtual, vivendo e se escondendo sob o avatar de Belle, ela se transforma e se solta com seus números musicais e canções que nos encantam. O roteiro do próprio Mamoru Hosoda se propõe a discutir essa interação entre o mundo real e a realidade virtual, ainda que nunca se aprofunde tanto nas problemáticas desta relação.

É que este é um tema no qual Hosoda não quer se debruçar sobre. Seu filme, na verdade, ruma para o outro lado da história, sem perder a oportunidade de destacar alguns dos malefícios que existem neste mundo, como os haters e os seguidores fanáticos, afinal, este é um filme feito para os milhares de jovens que passam horas a fio na internet e convivem com tais tipos, por isso, ao invés de vilanizar os que ali se sentem à vontade e encontram seus iguais, “Belle” revela que é possível, por meio da união e da empatia, encontrar a luz, o amor e a paz de espírito.

É claro que, ao final, o filme passa uma mensagem até ingênua para os dias atuais - e em um ambiente virtual, o qual temos plena consciência de que a inocência passa longe - mas é graças a essa base de contos de fada herdada de “A Bela e a Fera” que o caminho e o resultado não poderiam ser diferentes. E ora, já que as animações do Studio Ghibli também possuem mensagens tão belas e singelas, “Belle” também transmite a sua, sem subestimar o seu público, mostrando que é possível sim conviver em harmonia em uma realidade virtual. Basta se preocupar com o próximo.