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"Animais Fantásticos 3" é de causar revolta em qualquer fã de "Harry Potter" | Crítica

"Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore", novo longa da franquia, frustra ao não avançar na história

Henrique Nascimento | @hc_nascimento Publicado em 05/04/2022, às 16h00 - Atualizado em 14/04/2022, às 19h00

"Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore" é mais uma tentativa frustrada de criar uma nova franquia de "Harry Potter" - Divulgação/Warner Bros. Pictures
"Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore" é mais uma tentativa frustrada de criar uma nova franquia de "Harry Potter" - Divulgação/Warner Bros. Pictures

Já se passaram mais de três anos desde que "Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald" foi lançado nos cinemas, no final de 2018. De lá até o lançamento de "Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore" no próximo dia 14 de março, muitas águas rolaram: Johnny Depp foi demitido e substituído por Mads Mikkelsen como o vilão Gerardo Grindelwald; J.K. Rowling lutou por seu direito de odiar pessoas trans; e a produção foi adiada algumas vezes, por causa da pandemia de coronavírus, mas também para que o roteiro pudesse ser reescrito, dessa vez com a ajuda de Steve Kloves, responsável por sete das oito adaptações dos livros de "Harry Potter".

Nesse período, os fãs aguardaram com parcimônia, mesmo com a escassez de notícias sobre o filme. E, agora, esses mesmos fãs são "recompensados" com um filme ainda pior que seu antecessor, que não entrega nada de novo ao mundo mágico que já conhecemos e termina com a sensação de que esperamos por quase quatro anos para avançar na história, mas voltamos ao exato mesmo ponto em que fomos deixados em "Os Crimes de Grindelwald".

Em "Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore", Grindelwald continua com o seu plano de iniciar uma guerra contra os trouxas para que os bruxos não precisem mais se esconder e nem sofrer as consequências de se revelarem em um mundo que pode se virar contra ele. Juntando cada vez mais seguidores ao redor do mundo, o bruxo quer ainda mais e planeja se infiltrar em uma eleição para determinar quem será o próximo líder mundial dos bruxos - posto que, até esse filme, nem mesmo os fãs mais ferrenhos de "Harry Potter" talvez soubessem que existia. É como um Ministro da Magia, só que do mundo inteiro. Parece importante, não é? É, mas você só vai ver o assunto sendo explorado pela primeira vez agora.

Para impedir que Grindelwald alcance os seus objetivos, Alvo Dumbledore (Jude Law) reúne um peculiar time de estrelas da franquia para lidar com a ameaça. Paralelamente, o professor ainda precisa lidar com Credence Barebone/Aurélio Dumbledore (Ezra Miller), que continua sua busca incessante por descobrir, dessa vez, porque foi rejeitado por sua família e acabou indo parar nas garras de sua terrível mãe adotiva. E a revelação... Bom, é correto dizer que ela respeita o propósito do filme de ser extremamente frustrante e irrelevante para o futuro da franquia, acontecendo da forma mais "casual" possível. Sim, o grande mistério deixado pelo último filme, há quase quatro anos, é resolvido de qualquer jeito, como em uma conversa jogada fora.

Ah, e sem falar nos tais "segredos de Dumbledore", que enchem o título. Se você acreditava que descobriria novas verdades sobre o passado do poderoso bruxo, é melhor diminuir as suas expectativas. A verdade é que tudo não passa de um compilado que os fãs já viram nos filmes e/ou leram nos livros de "Harry Potter". Talvez seja novidade para o espectador mais desavisado, que apenas assiste aos filmes da franquia sem se aprofundar na história, mas... Dumbledore era gay e apaixonado por Grindelwald? Chocante! Essa me pegou desprevenido!

"Os Segredos de Dumbledore" tem seus momentos, tanto para os fãs quanto para o público geral. Mas se você olhar através dessas camadas, que estão lá apenas para justificar o quão pobre a história é, você percebe que o filme pouco avança na história, deixando o espectador não só frustrado, mas revoltado. Ou, ao menos, é o que deveria acontecer. Ao terminar, a sensação é de que você acaba de perder duas horas e meia com absolutamente nada. É um filme engraçado? É, sim. Tem momentos emocionantes? Alguns. Vale a pena gastar tempo e dinheiro? Eu diria que não, mas a escolha ainda é sua. 

O plano inicial, de fazer apenas três filmes, certamente era a melhor opção para o desenvolvimento de "Animais Fantásticos" e o confronto entre Dumbledore Grindelwald - que, vale lembrar, todo mundo já sabe o final, caso tenha acompanhado "Harry Potter". Melhor ainda, seria muito mais bacana se tivesse ficado apenas em um filme sobre animais fantásticos e onde habitam, que tinha o seu potencial para ser um seguro e divertido spin-off.

Porém, a realidade de uma franquia de cinco filmes, escritos por uma autora de livros, acostumada a ter páginas e páginas para desenvolver as suas tramas, mas que não sabe condensar isso em algumas horas de tela, pode ter sido uma péssima ideia. "Os Segredos de Dumbledore" é um filme que deveria causar revolta nos fãs ao ponto de eles baterem na porta dos estúdios Warner para exigir um filme que respeitasse a sua devoção pela franquia.

Mas a verdade é que isso não vai acontecer e, pela segunda vez, os fãs vão engolir as migalhas desse terceiro "Animais Fantásticos", apoiando-se na nostalgia e a carência de já não ter uma das histórias mais marcantes da cultura pop. Quem perde? Todos nós.

 


Já assistiu a "Os Segredos de Dumbledore"? Então, diz pra gente, qual é o seu favorito da franquia "Animais Fantásticos"?

  • "Animais Fantásticos e Onde Habitam"
  • "Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald"
  • "Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore"
  • Prefiro "Harry Potter

 


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