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Com brilho de Austin Butler, “Elvis” é espetáculo ao melhor estilo de Baz Lurhmann | #CineBuzzIndica

Cinebiografia de Elvis Presley, o Rei do Rock, chega aos cinemas nesta quinta-feira (14)

Angelo Cordeiro | @angelocinefilo Publicado em 14/07/2022, às 16h15

Com brilho de Austin Butler, “Elvis”, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (14), é espetáculo ao melhor estilo de Baz Lurhmann - Divulgação/Warner Bros. Pictures
Com brilho de Austin Butler, “Elvis”, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (14), é espetáculo ao melhor estilo de Baz Lurhmann - Divulgação/Warner Bros. Pictures

Dizem por aí que toda história tem três versões: a sua, a minha e a verdadeira. “Elvis”, mais uma cinebiografia do Rei do Rock a chegar aos cinemas, é a versão do diretor Baz Lurhmann sobre Elvis Presley. Não importa o que você saiba sobre Elvis, ou o que eu sei, e qual foi a verdade sobre ele, “Elvis” é cinema ao melhor estilo de Baz Lurhmann: as luzes e cores em excesso, a montagem acelerada e a decupagem saturada são parte do show.

No entanto, essa é uma versão traiçoeira, pois sob as lentes de Lurhmann está o empresário Coronel Tom Parker, vivido por Tom Hanks, um personagem vilanesco, que parece saído de qualquer revista em quadrinhos, e nos narra como foi a ascensão, o auge e o declínio do astro descoberto por ele. Claro, aos seus olhos.

O personagem caricato se defende logo no início: “Muitos dizem que eu sou o vilão dessa história”, afirma. E, bem, conforme a narrativa vai se desenrolando, fica difícil de acreditar no contrário. Ou seja, das duas uma: ou o personagem é cara de pau a ponto de contar uma história na qual ele nem se esforça para ser o herói ou acredita piamente que quem matou Elvis foi o seu amor pelos fãs - sim, ele diz isso.

A “prova” que condena Tom Parker aparece em certa cena do filme, pouco antes do empresário conhecer Elvis, quando a câmera de Baz Lurhmann passeia por um circo itinerante e foca em um cartaz de um geek - homens beberrões, que se tornavam atrações em circo itinerantes - a alguns metros do personagem vivido por Austin Butler. Se fosse um jogo de tarot, poderíamos dizer que naquele momento Elvis tirava sua sorte sem saber que estava condenado. A carta lhe daria fama e fortuna, mas o futuro astro estaria fadado a viver enclausurado para sempre.

E ao jogar Elvis neste “beco do pesadelo”, Baz Lurhmann arquiteta uma cinebiografia que não se preocupa em revelar certas curiosidades que o público possa ter acerca daquele que é considerado por muitos o Rei do Rock. Sua voz, estilo e dança lhe parecem intrínsecos. Ofertados como graça divina. Lurhmann trata Elvis como um ícone. Digamos que não há espaço para o Elvis com falhas, mais humano.

Com exceção dos momentos de sua infância, é raro vermos em cena o Elvis Aaron Presley, filho ou marido; ao olharmos para Butler sempre veremos Elvis Presley, Rei do Rock. E assim Lurhmann faz dele um ser quase divino, que leva as mulheres da plateia à loucura. Elas se excitam com sua dança e gritam escandalosamente a cada novo movimento de sua pélvis, num ritmo que emula quase um ato sexual e choca a sociedade conservadora da época. É Elvis contra o conservadorismo!

Tem também Elvis contra o racismo, inclusive. Para usar uma gíria da atualidade, Lurhmann "passa pano" para Elvis em algumas questões bastante pertinentes sobre a segregação racial que existia nos Estados Unidos durante o auge do artista. O filme mostra como Elvis foi influenciado por músicos e cantoras negros e negras, e coloca o astro como uma ponte para deixar a cultura afro-americana em evidência em todo o país. Para aqueles que renegam essa teoria, Elvis se apoderava das músicas e só era aceito porque era branco.

O longa ainda tenta pintar Elvis como um músico socialmente politizado, mas Lurhmann não consegue desenvolver isso de forma tão convincente. Isso acontece porque o que interessa a Lurhmann – e o que ele faz de melhor - é o Elvis enquanto ícone e estandarte do rock, aquele do palco e do espetáculo. Lurhmann não está interessado em explorar o personagem a fundo, tampouco seus traumas, dramas e dilemas. Eles até estão ali, mas sabemos deles por intermédio de Tom Parker. Não chega a ser frustrante, mas apresenta o personagem como esse ícone inalcançável, inabalável e divino. E sabemos – olha eu trazendo a versão alheia – que Elvis foi bastante problemático.

Por isso, “Elvis”, de Baz Lurhmann, é mais espetáculo e menos estudo de personagem, embora Austin Butler brilhe e consiga incorporar Elvis Presley de forma nunca vista em versões anteriores. Seus movimentos, timbre de voz, olhares e presença de palco impressionam, e as cenas dramáticas revelam que o ator não está apenas copiando os trejeitos do astro do rock. E, ao contar com um ator tão genuinamente entregue ao personagem, Lurhmann tem a faca e o queijo nas mãos para fazer o mesmo que Tom Parker: colocar Butler/Elvis em foco e explorá-lo até a última gota de suor.

Apesar de todos os pontos destacados, que até podem parecer demérito, mas estão longe disso, “Elvis” é uma cinebiografia autêntica, ainda mais se compararmos com cinebiografias cada vez mais pasteurizadas e presas a cartilhas (cof, cof “Bohemian Rhapsody”). Lurhmann dá conta do espetáculo que propõe - como Elvis também fazia - sem perder tempo com coisas que podem ser encontradas em uma página da Wikipédia. Em suma, podemos dizer que o longa não é apenas a versão do empresário que jura não ser o vilão, mas também, e principalmente, é a versão de Baz Lurhmann sobre um dos maiores artistas que o rock já teve.


E lá se foi metade do ano... Até agora, qual foi o melhor filme de 2022?

  • "O Beco do Pesadelo"
  • "Spencer"
  • "Morte no Nilo"
  • "Uncharted"
  • "Licorice Pizza"
  • "The Batman"
  • "Sonic 2: O Filme"
  • "Medida Provisória"
  • "Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore"
  • "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura"
  • "O Homem do Norte"
  • "O Peso do Talento"
  • "Jurassic World: Domínio"
  • "Lightyear"
  • "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo"

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