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“Espiral”: novo “Jogos Mortais” resolve corrupção com tradicional violência | #CineBuzzIndica

Filme chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (17)

Redação Publicado em 17/06/2021, às 07h30

"Espiral": novo "Jogos Mortais" resolve corrupção com tradicional violência - Divulgação/Paris Filmes
"Espiral": novo "Jogos Mortais" resolve corrupção com tradicional violência - Divulgação/Paris Filmes

Quando “Jogos Mortais” chegou ao fim, em 2010, a franquia deixou um desejo por mais. Não porque os filmes eram espetaculares – pelo contrário, eles já não eram nem mesmo bons há algum tempo -, mas porque as pessoas haviam se acostumado a testemunhar os assassinatos de Jigsaw e a ansiar por novas histórias, como acontece com tantas outras franquias do gênero, como “A Hora do Pesadelo”, “Sexta-Feira 13” e “Atividade Paranormal”.

Foi esse sentimento nostálgico que permitiu o retorno da franquia em 2017, com “Jogos Mortais: Jigsaw”, que funcionou, mas não faria diferença se não existisse. E por conta dessa mistura de nostalgia com um desejo por ver mais, que agora a franquia volta à vida mais uma vez com “Espiral: O Legado de Jogos Mortais“, uma versão atualizada, embora ainda bastante tradicional de “Jogos Mortais”.

Há pontos positivos no filme, o principal deles sendo a motivação para os assassinatos. O novo serial killer, desde o princípio tratado como um possível imitador de Jigsaw pela sua forma de matar, não visa apenas pessoas corruptas e maus elementos da sociedade, mas especificamente policiais corruptos, que agem de má-fé na condução de seus trabalhos, prejudicando inocentes.

O longa estava previsto para estrear em 2020, mesmo ano em que protestos contra a violência policial nos Estados Unidos eclodiram após os assassinatos de George FloydBreonna Taylor e outras tantas pessoas negras. Por conta da pandemia de coronavírus, o filme foi adiado, mas ainda surge em um momento em que os movimentos estão organizados e pedindo por reformas nas polícias, e o “novo Jigsaw” se insere nesse espaço.

No entanto, o seu método é muito mais urgente e menos político: ele não pretende protestar e pedir por mudanças; ele corta o mal pela raiz matando esses policiais corruptos. É a partir daí que surgem as cenas grotescas com as quais os fãs estão mais do que acostumados e que, certamente, os levarão de volta aos cinemas para curtir “Espiral”.

Tudo o que há de melhor em “Jogos Mortais” está no novo filme: mortes bem elaboradas e de fazer desviar os olhos da tela de agonia, uma trama coerente e um final de deixar o queixo caído, como é clássico da franquia. Porém, um de seus maiores problemas é o seu protagonista, o detetive Zeke Banks, interpretado por Chris Rock, famoso por atuar em comédias.

Durante toda a uma hora e meia de filme, fica difícil se desvencilhar da imagem de Rock vista em filmes como “Um Pobretão na Casa Branca” (2003) e “Gente Grande” (2010); ou não se lembrar de suas tiradas engraçadas ao dublar a zebra Marty, na trilogia “Madagascar”, ou ao narrar “Todo Mundo Odeia o Chris” (2005-2009), comédia inspirada em sua própria vida.

Rock não conseguiu ser um Adam Sandler em “Joias Brutas’” (2019) e, a todo momento, parece que o personagem está se esforçando para parecer sério ou segurando uma piada, o que acaba prejudicando a experiência. Além disso, o detetive encontra soluções muito fáceis para os crimes, frequentemente através de lampejos de entendimento, o que acaba irritando ao longo do filme.

De qualquer forma, “Espiral: O Legado de Jogos Mortais” deve satisfazer os fãs mais fiéis da franquia – já que repete a mesma fórmula, embora atualizada e como uma fotografia infinitamente melhor – e ainda abre caminho para sequências no futuro. O filme já está em cartaz nos cinemas brasileiros.