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"Maldivas" tenta ser dramédia de luxo, mas é cópia barata de "Desperate Housewives" | Crítica

Série estrelada por Bruna Marquezine e Manu Gavassi estreia nesta quarta-feira (15) na Netflix

Henrique Nascimento | @hc_nascimento Publicado em 14/06/2022, às 04h01

"Maldivas" tenta ser uma dramédia de luxo, mas é cópia barata de "Desperate Housewives" - Divulgação/Netflix
"Maldivas" tenta ser uma dramédia de luxo, mas é cópia barata de "Desperate Housewives" - Divulgação/Netflix

Donas de casa cheias de mistérios veem suas vidas serem abaladas por uma tragédia repentina e bastante suspeita. Essa era a premissa de "Desperate Housewives", série lançada em 2004, que se estendeu por oito temporadas e fez um enorme sucesso. A sinopse também é a mesma de "Maldivas", novidade da Netflix, que estreia nesta quarta-feira (15) e, se tivermos sorte, não deve passar da primeira temporada.

Não é exagero dizer que "Maldivas" é fruto do sucesso de Manu Gavassi na 20ª edição do "Big Brother Brasil". Finalista de uma das edições mais históricas do programa - a primeira com famosos no elenco e a responsável por colocar o reality no Livro dos Recordes -, a atriz e cantora estava no auge quando a produção foi anunciada, em novembro de 2020.

Junto com ela, Bruna Marquezine, que torceu, discutiu, fez mutirão e muito mais para manter a amiga no jogo. Ao final do programa, todos estavam loucos para vê-las juntas de alguma forma e a Netflix foi mais esperta, criando uma série estrelada pelas duas. Só que, após assistir aos três primeiros episódios de "Maldivas", dá para pensar que, apenas tendo duas das estrelas mais populares atualmente, seria o suficiente para passar com qualquer coisa. Infelizmente, não é.

Na história, Liz (Marquezine) está atrás da mãe, que a deixou para ser criada pela avó e sumiu. Como a garota descobre depois, ela foi morar em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro, o Maldivas, onde formou um grupo de "frenemies", amigas não tão amigas, com Milene (Gavassi), a síndica perfeitinha do lugar; Rayssa (Sheron Menezzes), uma ex-dançarina de axé; e Kat (Carol Castro).

Patrícia, vivida por Vanessa Gerbelli, tinha apenas uma amiga, que parecia realmente gostar dela: Verônica, também conhecida por Morticia, uma moradora meio "despirocada", vivida pela criadora e roteirista da série, Natalia Klein. Ah, ela também é responsável por narrar toda a história.

Quando chega ao Rio de Janeiro e descobre que a mãe acabou de morrer em um incêndio, Liz (literalmente) se infiltra nas vidas dessas mulheres e começa a investigar o que pode ter acontecido com Patrícia, tentando buscar também uma resposta para o motivo de ter sido abandonada para sempre pela pessoa que mais amava. E aí é que começa a bagunça.

A série abraça toda a premissa da primeira temporada de "Desperate Housewives", emulando o grupo de amigas, a morte suspeita e uma narração para ligar os pontos... e transforma tudo em algo difícil de assistir. E nem um elenco bacana, que não vai tão mal assim, consegue salvar "Maldivas" de seu grande problema: o roteiro terrível.

A história até que não é ruim. Se trabalhada de uma forma diferente, talvez poderia se desenvolver de uma forma bacana. Porém, na tentativa de criar uma "dramédia" de luxo, com luxuosos cenários e belos rostos, esqueceram de que o rosto precisaria funcionar ali no meio. E não funcionou.

"Maldivas" abusa de todos os clichês já vistos em produções do gênero, além de muitas vezes brincar com a inteligência do espectador ao jogar conveniências no meio da história, como o fato de Liz, de repente, lembrar que tem formação em Ciência Forense, mas não sem antes entrar na cena do crime e deixar pistas contra si por toda parte.

Até daria para aproveitar "Maldivas" como uma comédia para não pensar muito. Daria, se não fosse pela narração de Natalia Klein. Talvez para dar a si mesma um pouco mais de protagonismo na história, a criadora da série coloca a sua personagem para ligar os pontos da história, só que o texto consegue ser ainda mais pobre do que o que vemos na tela.

Logo nas primeiras cenas, a narradora compara as protagonistas a drinques, o que dá uma vergonha alheia enorme desde o princípio. A partir daí, é só ladeira abaixo. A narração parece servir mais para trazer uns floreios - que ninguém pediu - à história do que agregar a ela. É desnecessária e enfraquece ainda mais a série.

Ao todo, "Maldivas" terá sete episódios e não há confirmação se a série continuará ou não. Talvez seja melhor que não, assim Bruna Marquezine fica livre para alçar voos ainda maiores internacionalmente e Manu Gavassi pode continuar fazendo grandes produções na música. Essa cópia barata de "Desperate Housewives" a gente esquece no catálogo (cada vez pior) da Netflix.


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