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Sem graça e apressado, "Venom - Tempo de Carnificina" decepciona | Crítica

Sequência de "Venom" está disponível nos cinemas brasileiros deste quinta-feira (7)

ANGELO CORDEIRO | @ANGELOCINEFILO Publicado em 01/10/2021, às 17h34 - Atualizado em 07/10/2021, às 18h00

Sem graça e apressado, "Venom - Tempo de Carnificina" decepciona | Crítica - Sony Pictures
Sem graça e apressado, "Venom - Tempo de Carnificina" decepciona | Crítica - Sony Pictures

O sonho de todo fã do Homem-Aranha é que o personagem tenha seus direitos comprados em definitivo pela Marvel, coisa que a Sony, atual detentora dos direitos, só deverá fazer caso a sua situação financeira esteja desesperadora.

O sucesso de bilheteria do primeiro “Venom” - que arrecadou mais de 800 milhões de dólares nas bilheterias mundiais -, fez com que a Sony tivesse uma carta na manga para manter os direitos do Homem-Aranha: Provou à Marvel que não precisava dela para faturar.

Dessa forma, a Sony segue apostando em filmes dos vilões do Homem-Aranha, criando o seu próprio “aranhaverso sombrio”, embora ainda em estágio inicial - devido aos adiamentos causados pela pandemia da covid-19. Além de “Venom - Tempo de Carnificina”, os longas “Morbius” e “Kraven, o Caçador” são outros que o estúdio pretende lançar nos próximos meses.

No entanto, caso esses filmes não faturem o esperado, a Sony dificilmente conseguirá manter os direitos do Homem-Aranha e então o sonho dos fãs irá, enfim, se realizar. E se depender deste “Venom - Tempo de Carnificina”, continuação direta do filme de 2018, o Homem-Aranha segue com passos firmes a caminho da Marvel.

Na trama, o jornalista Eddie Brock (Tom Hardy) tenta alavancar sua carreira jornalística em uma entrevista com o serial killer Cletus Kasady (Woody Harrelson), um maníaco condenado à morte que só pensa em salvar sua amada Frances (Naomie Harris). Durante a entrevista, parte do simbionte alienígena Venom passa para Cletus, que se transforma no Carnificina.

O que “Venom” acertou ao se apresentar como uma aventura descompromissada no estilo das produções dos anos 90 - referenciando “Darkman - Vingança sem Rosto”, de Sam Raimi -, com toda sua caricatura e humor bem dosados, este capítulo apela para o exagero e joga tudo pelos ares. Ora, poderia dar muito certo essa aventura alucinada, só que tudo o que é demais é ruim.

A mudança na direção - sai Ruben Fleischer, entra Andy Serkis - é sentida com pesar. Enquanto Fleischer conseguiu dar ao filme de 2018 um ar sombrio de ficção científica que, aos poucos, vai se assumindo uma comédia dramática, Serkis não consegue dominar o ritmo nem sequer dar o mínimo de continuidade e importância ao que se apresenta em tela.

Os coadjuvantes de “Venom - Tempo de Carnificina” são tratados da forma mais preguiçosa possível e nenhum deles é desenvolvido com a mesma paciência que o filme anterior teve para nos apresentar o Venom. A participação de Michelle Williams é lamentável. A dupla Naomi HarrisWoody Harrelson até chama atenção quando ambos se juntam, mas os personagens mereciam melhor tratamento do roteiro. Tudo é apressado e corrido. No pior sentido da coisa.

Os acontecimentos se sucedem como se um fã de histórias em quadrinhos folheasse as páginas sem prestar atenção aos balões de diálogos e tentasse entender a trama apenas pelas imagens. E os efeitos de “Venom - Tempo de Carnificina” são tão ruins que as sequências de ação noturnas - nada empolgantes - cansam os olhos de quem tenta entender o que está acontecendo.

Pra piorar as coisas, o aguardado embate entre Venom e Carnificina se resolve num clímax apressado, confuso e sem impacto algum, deixando evidente como a falta de “carnificina” é outro grave problema da história. Para efeitos de comparação, enquanto “Deadpool” consegue ser violento, engraçado e absurdo, “Venom - Tempo de Carnificina” esconde sua violência, faz rir vez ou outra e, ao tentar abraçar o absurdo, soa ridículo.

O problema talvez esteja na própria proposta: Tom Hardy teve a ideia para a continuação e chamou Kelly Marcel, de “50 Tons de Cinza” para roteirizar. O resultado não poderia ser diferente do que se imagina: uma tortura sem prazer algum.

Ao final, “Venom - Tempo de Carnificina” é o filme que levará o público ao cinema não para se empolgar ao ver Tom Hardy e Woody Harrelson se confrontando em uma batalha entre um anti-herói e um vilão. Quem mexerá com a ansiedade dos fãs, somente após 97 minutos, será a cena pós-créditos.