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"Thor: Amor e Trovão" é tortura para quem não aguenta mais tantas piadinhas na Marvel | Crítica

Quarto longa do deus do trovão, "Thor: Amor e Trovão" chega aos cinemas nesta quinta-feira (7)

Henrique Nascimento | @hc_nascimento Publicado em 05/07/2022, às 10h00

"Thor: Amor e Trovão", novo filme do herói interpretado por Chris Hemsworth, é tortura para quem não aguenta mais tantas piadinhas na Marvel - Reprodução/Marvel Studios
"Thor: Amor e Trovão", novo filme do herói interpretado por Chris Hemsworth, é tortura para quem não aguenta mais tantas piadinhas na Marvel - Reprodução/Marvel Studios

"Se tudo é uma piada, algo é realmente divertido?" A frase não é minha, eu confesso, mas também foi usada para se referir a "Thor: Amor e Trovão" e eu não poderia ter dito melhor. A nova aventura do herói interpretado por Chris Hemsworth chega aos cinemas nesta quinta-feira (7) e embora o seu antecessor tenha revolucionado o personagem dentro do Universo Cinematográfico da Marvel e o tornado adorado entre os fãs, a nova produção não mantém o nível e se resume a um amontoado de piadas mal colocadas para esconder uma história que poderia ser muito boa, mas infelizmente não é.

Em "Thor: Amor e Trovão", o irmão de Loki (Tom Hiddleston) finalmente superou a depressão na qual estava mergulhado desde que não conseguiu parar Thanos (Josh Brolin) e viu metade da vida do universo ser apagada. Agora, após os Vingadores terem resolvido o problema, Thor viaja por esse mesmo universo ao lado dos Guardiões da Galáxia, combatendo ameaças em diversos planetas, sempre que requisitado.

No entanto, ele precisa retornar a Nova Asgard quando sua antiga amiga Lady Sif (Jaimie Alexander) o alerta de que há alguém matando os deuses. Lá, ele se depara com Gorr, o Carniceiro dos Deuses (Christian Bale), um antigo fiel às divindades, mas que se viu traído por elas e jurou destruí-las, conquistando o poder de empunhar a Necroespada, uma perigosa e sombria arma. Como Thor também é um deus, ele é um alvo do vilão, que quase consegue cumprir a sua promessa, mas é impedido por Jane Foster (Natalie Portman), agora em posse do Mjolnir e respondendo pela alcunha de Poderosa Thor.

Taika Waititi, o responsável por tirar Thor da sombriedade de seus dois primeiros filmes e colocá-lo em um caminho diferente e bem mais empolgante, definiu o roteiro de "Thor: Amor e Trovão", que escreveu a quatro mãos com Jennifer Kaytin Robinson ("Alguém Especial"), como um "filme de crise de meia-idade" e que queria descobrir se "estamos fazendo o suficiente para cuidar uns dos outros e de nós mesmos" ao explorar a ideia do amor. Isso fica claro no longa, que trabalha o sentimento de diversas formas e não apenas romanticamente, entre Thor e Jane.

Porém, o que havia funcionado tão bem em "Thor: Ragnarok", que era a presença de um humor bem trabalhado, parece ter esgotado em sua fonte, porque o que sobrou foram piadas mal colocadas e nem sempre tão engraçadas. Em alguns momentos, me senti assistindo a uma sequência de "Tod Mundo em Pânico" - e nem estou falando dos dois primeiros filmes, que eu acho realmente divertidos, mas daqueles que eles insistiram em fazer a partir do terceiro e a gente prefere esquecer.

Não me entendam mal, eu não odeio as "piadinhas da Marvel", frequentemente criticadas e principal argumento para questionar a qualidade dos filmes da franquia (um argumento bastante fraco, na minha opinião). Entretanto, depois de "Vingadores: Ultimato", a Marvel se comprometeu a superar o seu "espetáculo cinematográfico" com uma nova aproximação em seus filmes e séries.

Foi dessa proposta que nasceram "WandaVision", inspirada em sitcoms; e "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura", o primeiro filme de terror da franquia. E essa mudança não foi só na forma de fazer: "Eternos", além de ganhar um estilo road movie nas mãos da vencedora do Oscar Chloé Zhao, tem uma narrativa toda baseada nas nuances da religião e da fé; e "Falcão e o Soldado Invernal" abordou o racismo e a brutalidade policial, mesmo em sua construção típica de ação da Marvel. "Thor: Amor e Trovão", por sua vez, não é nada disso.

Há a narrativa do amor e o humor é contrabalanceado pelo terror promovido por Gorr, que é realmente um dos melhores vilões da Marvel, conforme prometido, e tem uma motivação genuína para cumprir a sua promessa. No entanto, o excesso de piadas ruins e situações forçadamente engraçadas estoura a paciência antes mesmo de o filme chegar à metade e você não consegue se envolver com mais nada. Nem com Gorr e, especialmente, com a Poderosa Thor, que teve a sua entrada no Universo Cinematográfico da Marvel maculada pela má condução de Waititi com esse longa.

E isso não é só um detalhe; na verdade, é muito triste. Na minha opinião, a Poderosa Thor é uma das personagens mais interessantes dos quadrinhos, que apresenta uma nova interpretação de Thor, e ela foi desperdiçada. A personagem merecia mais, assim como Natalie Portman também merecia, já que o filme está longe de equiparar com o nível que ela chegou como atriz ao longo de sua carreira. Quando nós achávamos que estávamos ganhando com o seu retorno, nós perdemos - e perdemos feio!

Depois de "Thor: Amor e Trovão", é impossível não questionar se a Marvel realmente sabe o que está fazendo depois de já ter feito de tudo. As séries no Disney+ costumam ser divertidas, mas pouco agregam aos filmes, que continuam sendo prioridade do estúdio (um exemplo foi a forma como "WandaVision" foi ignorada para que, mesmo quem não assistiu à produção, pudesse aproveitar "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura"). Ainda assim, elas têm se saído melhor que os longas, então talvez seja hora de dar um tempo, largar de lançar uma produção a cada dois meses e repensar tudo. Ou não. Mas, por favor, ao menos deixem a fase de piadinhas no passado. Já deu.


Depois de "Ms. Marvel", para qual lançamento da Marvel você está mais ansioso?

  • "Thor: Amor e Trovão" (7 de julho nos cinemas)
  • "I Am Groot" (10 de agosto no Disney+
  • "Mulher-Hulk" (17 de agosto no Disney+)
  • "What If...?" - 2ª Temporada (Sem data de estreia definida)
  • "Pantera Negra: Wakanda Para Sempre" (10 de novembro nos cinemas)
  • "Guardiões da Galáxia: Especial de Natal" (Dezembro no Disney+)
  • "Coração de Ferro" (Sem data de estreia definida)
  • "As Marvels" (16 de fevereiro de 2023 nos cinemas)
  • "Invasão Secreta" (Sem data de estreia definida)
  • "Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania" (28 de julho de 2023 nos cinemas)
  • "Guerra das Armaduras" (Sem data de estreia definida)
  • "Guardiões da Galáxia 3" (Sem data de estreia definida)
  • "Eco" (Sem data de estreia definida)
  • "Blade" (Sem data de estreia definida)
  • "Loki" - 2ª Temporada (Sem data de estreia definida)

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