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"Turma da Mônica: Lições" aposta no clima nostálgico para retratar os dilemas de crescer | #CineBuzzIndica

Live action entrega com maestria um feito raro: uma sequência ainda melhor que o original!

Camila Gomes | @camilagms Publicado em 24/12/2021, às 11h00 - Atualizado em 30/12/2021, às 11h49

"Turma da Mônica: Lições" é uma sequênc - (Divulgação/Serendipity Inc.)
"Turma da Mônica: Lições" é uma sequênc - (Divulgação/Serendipity Inc.)

Levar para as telonas 60 anos de um dos maiores ícones da cultura pop brasileira é uma tarefa que requer muita responsabilidade, especialmente após o lançamento de “Turma da Mônica: Laços”. Mas com o comando de Daniel Rezende, “Turma da Mônica: Lições” realiza com maestria um feito que poucas franquias conseguiram: uma sequência ainda melhor que o original.

Adaptando a segunda graphic novel da Mauricio de Sousa Produções, escrita e ilustrada pelos irmãos Lu e Vitor Cafaggi, o longa eleva a potência do que havia apresentado anteriormente. A história pode parecer simples, mas desencadeia uma série de eventos e reflexões que torna impossível tirar os olhos da tela e encanta do público mais jovem ao adulto mais experiente.

De volta ao Bairro do Limoeiro, “Turma da Mônica: Lições” acompanha um dia comum na vida de Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto), Cascão (Gabriel Moreira) e Magali (Laura Rauseo), até que eles se dão conta de que não fizeram o dever de casa. O grupo decide, então, que a melhor opção é fugir da escola, mas o “plano infalível” acaba se provando falho e eles entram em uma confusão.

Agora, o grupo precisará lidar com as consequências de suas ações, que colocará a amizade deles em risco. Cada um enfrentará um desafio pessoal estabelecido pelos pais: Mônica será transferida para um colégio e terá que aprender a fazer novos amigos; Cebolinha terá consultas com a fonoaudióloga; Cascão entrará nas aulas de natação para perder o medo da água; e Magali terá aulas para aprender os diferentes prazeres da culinária.

Com as estrelas da produção passando tanto tempo separados, a oportundidade é perfeita para introduzir novos personagens (já conhecidos pelo público que leu os gibis), que vão ajudá-los a enfrentar o momento conturbado e aumentará ainda mais a turminha, como Marina, Do Contra, Nimbus, Humberto e Milena. A atriz Malu Mader também entrou para o Mônicaverso como a nova professora de Mônica e Isabelle Drummond foi oficialmente apresentada no papel da doce e conselheira Tina.

O roteiro utiliza de forma genial o elemento da nostalgia que essas figuras, que fizeram parte de diferentes gerações que cresceram lendo e assistindo às histórias de “Turma da Mônica”, carregam até hoje. Quando eles aparecem em cena pela primeira vez, é impossível não lembrar de quantas vezes esses personagens fizeram companhia durante a infância. Além disso, embora alguns não façam participações oficiais no filme, como o Astronauta, mas vale ficar de olho nos easter eggs, pois há diversos bem escondidos e que ressaltam o cuidado que a produção teve com o material trabalhado.

Outro fator interessante é como a ansiedade é abordada na história. Todo mundo sabe que a Magali ama comer, mas quando está em situações de extremo estresse, a paixão pela alimentação vira uma obsessão nada saudável e até ela reconhece que é a hora de aprender a controlar a compulsão. A situação toda é tratada com responsabilidade, didática, doçura e ainda conta com uma participação pra lá de especial. Mas sem spoilers!

Tendo a escola como plano de fundo, o bullying, que assombra tantas crianças, também é abordado de forma delicada. Mônica sempre foi conhecida por sua força, mas na nova escola conhece Tonhão, que toma seu querido Sansão, e abala ainda mais o emocional da jovem nessa fase difícil. Para resgatar o coelho de pelúcia da Dona da Rua, Cebolinha, Cascão e Magali decidem dar uma lição no garoto e acabam ensinando e aprendendo sobre respeito, bondade e segundas chances. Lição que vale para as crianças e para os adultos.

A mensagem que fica é que “a gente nunca para de crescer”, ensinamento importante quando se trata de um filme que atrai públicos de diversas idades, que às vezes precisam de um lembrete de que estamos sempre em processo de evolução. Não precisamos abandonar completamente aquilo que nos faz feliz só porque deixamos de ser crianças, afinal, são esses mesmos personagens que ajudaram a alfabetizar tantas pessoas, por exemplo, que hoje podem levar os filhos para prestigiar a versão live action nos cinemas, e emocioná-los ao resgatar tantas memórias felizes.