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Cinema / EITA!

Adèle Haenel anuncia aposentadoria aos 33 anos: "indústria cinematográfica é reacionária, racista e patriarcal"

Atriz polemizou ao abandonar a cerimônia do César 2020 após a premiação de Roman Polanski

ANGELO CORDEIRO | @ANGELOCINEFILO Publicado em 16/05/2022, às 15h43

Adèle Haenel anuncia aposentadoria aos 33 anos: "indústria cinematográfica é reacionária, racista e patriarcal" - Divulgação/Getty Images: Eamonn M. McCormack
Adèle Haenel anuncia aposentadoria aos 33 anos: "indústria cinematográfica é reacionária, racista e patriarcal" - Divulgação/Getty Images: Eamonn M. McCormack

Quando a atriz francesa Adèle Haenel abandonou a cerimônia do César Awards 2020 em protesto à premiação do diretor Roman Polanski já ficava claro todo seu descontentamento com a indústria cinematográfica.

Agora, em entrevista ao jornal alemão FAQ, a atriz de “Retrato de uma Jovem em Chamas”, anunciou sua aposentadoria do cinema por não concordar com a forma como mulheres e minorias são tratadas pela indústria.

Haenel também revelou que abandonou o projeto de “The Empire”, novo filme de ficção científica do diretor Bruno Dumont por se sentir frustrada como a produção abordava temas sérios.

"Não faço mais filmes. Por motivos políticos. Porque a indústria cinematográfica é absolutamente reacionária, racista e patriarcal", disse Haenel, de 33 anos.

"Somos enganados quando dizemos a nós mesmos que aqueles que estão no poder possuem boa vontade e que o mundo está caminhando na direção correta sob sua boa e às vezes inábil gestão. Claro que não. A única coisa que move a sociedade estruturalmente é a luta social. E parece-me que, no meu caso, sair significa lutar", declarou a atriz conhecida na França também pelo seu ativismo feminista e sua representatividade na comunidade LGBT. 

Em 2020, Adèle Haenel polemizou ao abandonar, em protesto, a cerimônia do César Awards após a premiação de Roman Polanski, condenado por estupro de incapaz de uma menina de 13 anos após consumo de drogas e álcool numa festa nos anos 70, nos Estados Unidos.

Antes disso, em 2019, Haenel acusou o diretor francês Christophe Ruggia de assédio durante as filmagens de seu primeiro trabalho, “Les Diables”, de 2002, quando tinha apenas 13 anos. Ruggia foi detido no ano seguinte.

Sem estrelar novos filmes desde 2019, Haenel revela que irá se concentrar em atuar no teatro a partir de agora. Mas deixa a porta aberta para, no futuro, fazer um “outro tipo de cinema” com cineastas como Céline Sciamma, com quem ela trabalhou em "Lírios d'água" e "Retrato de Uma Jovem em Chamas", e Gisèle Vienne.


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