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Cópia restaurada em 4K de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” será exibida no Festival de Cannes

Filme de Glauber Rocha é, até agora, o único brasileiro anunciado no Festival

ANGELO CORDEIRO | @ANGELOCINEFILO Publicado em 02/05/2022, às 14h12

Cópia restaurada em 4K de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” será exibida no Festival de Cannes - Divulgação/Netflix
Cópia restaurada em 4K de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” será exibida no Festival de Cannes - Divulgação/Netflix

O longa-metragem "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha, foi selecionado para o 75º Festival de Cannes e será exibido na seção Cannes Classics, dedicada a filmes clássicos e à preservação do patrimônio cinematográfico mundial.

Em 2019, após anos de um mergulho profundo na história do cinema brasileiro, o produtor Lino Meireles se uniu à diretora Paloma Rocha, filha de Glauber, para restaurar em versão 4K o filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol". O projeto foi finalizado em 2022, mais de 40 anos após a morte do realizador baiano.

Segundo longa-metragem de Glauber e considerado um marco do Cinema Novo, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” estreou mundialmente na competição de Cannes, em 1964, sendo indicado à Palma de Ouro.

O filme foi lançado nos cinemas do Brasil em julho do mesmo ano. O legado do diretor inclui longas-metragens como “Barravento” (1962), “Terra em Transe” (1967), “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969), “O Leão de Sete Cabeças” (1970), entre outros.

É um ciclo completo para a nossa restauração, onde o filme será reexibido pela primeira vez no mesmo local em que estreou. Que seja um novo chamado de resistência cultural”, afirma o produtor Lino Meireles, diretor do premiado longa-metragem “Candango: Memórias do Festival”.

Num país com a cultura tão depreciada, com a produção artística sofrendo ataques, fizemos um esforço de contracorrente. Isso só é possível porque o filme tem a força própria dele”, explica a diretora Paloma Rocha.

A escolha pela obra foi feita não apenas por sua importância para a cultura nacional, mas pelo fato de sua última versão digitalizada ter sido feita em 2002, com qualidade inferior à atual.

O novo restauro foi realizado na Cinecolor, empresa parceira da Cinemateca Brasileira, onde estava armazenada a cópia em película – cinco latas de negativos 35mm em perfeitas condições. Apesar disso, parte da obra de Glauber foi perdida no incêndio que atingiu um dos galpões da Cinemateca, em São Paulo, em julho de 2021.

“Deus e o Diabo na Terra do Sol” mescla influências literárias de Graciliano Ramos, José Lins do Rego e “Os Sertões”, de Euclides da Cunha.

O Festival de Cannes acontece entre os dias 17 e 28 de maio.


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