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Cinema / VENEZA

"Deserto Particular" estreia no Festival de Veneza e é aplaudido pelo público

Longa de Aly Muritiba discute a afeição masculina no Brasil contemporâneo

ANGELO CORDEIRO | @ANGELOCINEFILO Publicado em 08/09/2021, às 12h30

"Deserto Particular" estreia no Festival de Veneza e é aplaudido pelo público - Pandora Filmes
"Deserto Particular" estreia no Festival de Veneza e é aplaudido pelo público - Pandora Filmes

"Deserto Particular", longa dirigido por Aly Muritiba ("Ferrugem"), estrelado por Antonio Saboia ("Bacurau"), fez sua estreia no 78º Festival de Veneza, onde foi exibido na mostra Venice Days e recebido com aplausos pelo público presente.

"A galera aplaudiu o tempo dos créditos todos, com vontade mesmo. As pessoas estavam precisando de um filme esperançoso nesse momento de trevas e escuridão no Brasil", declarou o ator Antonio Saboia

Na história, Daniel (personagem de Antonio) é um policial afastado do trabalho que mora em Curitiba, onde cuida do pai doente com devoção. Taciturno, Daniel é de poucas palavras e sorrisos. Sua única alegria é a misteriosa Sara, uma moça que mora no sertão da Bahia, e com quem se corresponde por aplicativo de celular. O desaparecimento súbito de Sara faz com que Daniel resolva cruzar o país em busca de seu amor.

"Meu personagem, o Daniel, é um cara que nasceu e foi criado em uma família conservadora e nunca questionou, como muita gente, esses valores, por comodidade e porque era fácil não questionar. Ele chega em um determinado ponto da vida dele que ele é obrigado a confrontar isso tudo", disse Antonio.

"'Deserto Particular' é um filme de encontros. Desde 2016, com o golpe que tirou do poder uma presidenta democraticamente eleita, minha geração, formada depois da Ditadura Militar, enfrenta o momento mais dramático de sua existência. O país afundou numa espiral de ódio que culminou com a eleição de um fascista como presidente." afirmou o cineasta Aly.

"Depois da eleição de Jair Bolsonaro, todas as minorias, mulheres, indígenas, a comunidade LGBTQIA+, negros, entre outros, passaram a ser sistematicamente perseguidas, e o país se dividiu entre o sul conservador e o norte e nordeste progressista. Essa época de ódio me motivou quando decidi sobre o que seria meu próximo filme. Faria uma obra sobre encontros. Nesse momento de ódio, resolvi fazer um filme sobre o amor”, explicou o diretor.

Também diretor de documentários e da recente série “O Caso Evandro”, Aly explica que tais experiências foram fundamentais para realizar "Deserto Particular": “O modo como abordo os espaços e os corpos nos espaços vem do documentário de observação. Aqui, essa experiência foi determinante para o mise-en-scène, mas não só. O compromisso ético com o tema e os objetos (personagens) que tenho quando faço documentários está todo o tempo em pauta nas minhas ficções.

O filme ainda não tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros.