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Filipe Bragança fala sobre papel em série da Netflix e dublagem em "Encanto", da Disney

Ator revela sua preparação para "Só Se For Por Amor" e como foi dublar uma animação da Disney

ANGELO CORDEIRO | @ANGELOCINEFILO Publicado em 08/12/2021, às 14h01

Filipe Bragança fala sobre papel em série da Netflix e dublagem em "Encanto", da Disney - Divulgação/Credito: Caio Oviedo
Filipe Bragança fala sobre papel em série da Netflix e dublagem em "Encanto", da Disney - Divulgação/Credito: Caio Oviedo

O ator Filipe Bragança estreou na televisão em 2013, no remake de "Chiquititas" e, de lá pra cá, galgou outros degraus em sua carreira, trabalhando em outras novelas, como "Órfãos da Terra"; o seriado "Dom", do Amazon Prime Video; recentemente dublou para a animação "Encanto", da Disney; e, em breve, será visto em "Só Se For Por Amor", série brasileira da Netflix.

Confira a seguir uma entrevista com o ator com maiores detalhes e curiosidades de sua carreira:

CINEBUZZ: A série "Só Se For Por Amor" aborda a música sertaneja. É um gênero musical que costuma ouvir? Gosta? Tem ídolos?

FILIPE BRAGANÇA: Apesar de ser goiano, não escutava muita música sertaneja. Acho que eu nunca soube apreciar o gênero da forma correta. A série me ensinou justamente isso. Hoje eu enxergo uma poesia incrível presente nas canções, especialmente nos clássicos, e até por isso, cantar músicas assim na série foi um deleite.


C: Vai cantar em cena por conta da banda que formará na história, certo? Como tem sido a preparação?

FP: Sim, eu e quase todos os outros integrantes do elenco cantam em cena. Foi uma preparação muito longa pois a série sofreu alguns atrasos devido à pandemia, porém a preparação, ensaios, leituras, tudo isso continuou acontecendo, o que foi bom pra nós atores para que pudéssemos estudar as músicas com mais cautela, fazer propostas, entender arranjos, estudar o texto e principalmente criar laços afetivos entre nós, algo que é a essência dessa série e desse elenco.


C: Como foi fazer a dublagem do filme da Disney, "Encanto"? Qual foi o maior desafio?

FP: Dublar um filme da Disney foi a realização de um sonho. Sou louco pelos filmes, principalmente as animações. Porém, eu nunca tinha dublado. Antes disso eu havia feito a voz original de um personagem de uma animação brasileira, Abá e Sua Banda. No entanto, os processos são diferentes. No caso da Disney , eu não sabi o que eu ia gravar. Sabe-se sobre seu personagem, a história do filme , claro. Mas não se conhece o texto e nem as músicas, isso tudo você descobre na hora, no estúdio. É um desafio ter a agilidade pra processar tudo tão rápido e entregar um bom trabalho, mas acho que eu consegui.


C: Tem crianças na família? Caso sim, imita a voz do personagem em casa? Ou mesmo com os próprios familiares…

FP: Tenho uma irmã mais nova, Luiza de 15 anos. Ainda assim, acho que a alma de criança é mais viva em mim do que em qualquer um. Eu sou muito bobão. Meu quarto é lotado de boneco, hqs, coisas de cinema e super heróis. Aliás, é no meu quarto que eu imito a voz do personagem e faço meus estudos. Tenho vergonha de fazer na frente dos outros.


C: Qual o maior desafio em trabalhar com o público infantil?

FP: No caso da dublagem é difícil dizer porque o filme em si já está pronto e faz todo o trabalho de se comunicar com esse público, os dubladores apenas seguem o tom proposto. Mas há anos eu fiz "Chiquititas", e apesar de à época ser muito novo também, eu diria que o maior desafio é entender que as crianças não te esquecem, criam um laço muito forte com os personagens e também com os atores. Ou seja, eu posso deixar uma barba enorme, pintar o cabelo, colocar um óculos escuro e fugir pra Uma cidadezinha do interior da Noruega, mas se lá tiver uma criança que assiste "Chiquititas", ou algum adulto que assistia quando era criança, eles vão me reconhecer.


C: Você está "no ar" em duas plataformas ao mesmo tempo: na Netflix com "Chiquititas" e na Amazon com "Dom". Como você avalia a sua evolução como ator?

FP: Vejo uma trajetória muito rica e simbólica até agora, até porque é uma trajetória que acompanha meu crescimento pessoal, desde criança atuando em "Chiquititas", passando pelo teatro, teatro musical, cinema e, agora  trabalhando em uma série madura e complexa como "Dom" dirigida por Breno Silveira. Sinto uma evolução muito grande no meu trabalho e no meu comportamento pessoal.

C: Como o público reagiu ao seu trabalho em "Dom"? O que você tem escutado das pessoas?

FP: As pessoas gostam muito. Recebi muitas mensagens de gente importante. Atores e atrizes cujo trabalho e trajetória admiro muito. Me sinto muito feliz e honrado de ter meu trabalho reconhecido dessa forma. Para um ator, receber um elogio sincero de um outro grande ator ou atriz é uma felicidade imensa e importante para saber que se está no caminho certo.

C: Você acha que interpretar uma história baseada na vida de alguém que já existiu foi o maior desafio deste trabalho?

FP: Acho que é parte do desafio. Ao mesmo tempo, existe a vantagem de poder construir os personagens baseando-se em pesquisas sobre os eventos e as vidas dessas pessoas. Há também o desafio de lidar com a reação de algumas pessoas que assistem à série e comentam “não era bem assim” ou “isso não aconteceu desse jeito”. É natural, se trata de uma interpretação inevitavelmente limitada de uma história que pode ter muitos lados.


C: Vocês já começaram a filmar a segunda temporada de "Dom", quais são as suas expectativas para essa nova fase?

FP: Como em qualquer série, uma segunda temporada deve trazer mais profundidade e complexidade para os personagens e para o universo da série, e a segunda temporada de Dom faz justamente isso, portanto, minhas expectativas são altas e acredito que a segunda temporada será tão boa quanto a primeira, se não melhor!

C: Você acha que quando um ator começa a atuar muito cedo é mais complicado "romper" uma resistência de conseguir papéis mais maduros?

FP: Depende do quanto esse ator está determinado a arriscar na tomada de decisões sobre novos papéis e projetos, e o quão preparado e maduro esse ator está para assumir papéis mais complexos. É muito fácil crescer atuando em determinado tipo de projeto e continuar seguindo a mesma linha. Arriscar projetos mais maduros exige consciência sobre “que tipo de ator eu quero me tornar, que tipo de história eu quero contar”.
E claro, é necessário muito estudo, porque papéis mais complexos exigem ainda mais competência do ator.

C: Como está sendo filmar neste momento em que ainda enfrentamos a pandemia?

FP: Diferente, bem diferente. Os protocolos não atrapalham a realização do trabalho, mas estão sempre presentes. No início, é bastante estranho, mas a gente se acostuma. É um verdadeiro privilégio poder filmar, contar histórias sobre o nosso país e nossos brasileiros depois de um período de pausa total no audiovisual nacional, além de ainda estarmos enfrentando um governo que despreza nossa cultura, nosso cinema e nossa história. É, portanto, um privilégio poder trabalhar e mostrar resistência diante desse contexto.

C: Sobre a sua animação, quando ela deve ser lançada e como foi fazer parte do projeto?

FP: Ainda não temos data, mas acredito que, no próximo ano, ela deva aparecer por aí. Vai ser lindo. Cheguei no projeto por ter sido procurado pelo diretor, Humberto Avelar, que entrou em contato com minha agente, a Fernanda Ribas, desde o início do projeto, e disse que queria que eu desse voz ao Abá. E aconteceu, cá estou eu interpretando um abacaxi (risos).

Confira o vídeo de anúncio de "Só Se For Por Amor":