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Cinema / NOVIDADE

Brasileiro celebra vitória no Oscar e fala sobre novos projetos

Daniel Dreifuss é produtor de "Nada de Novo no Front", que ganhou quatro estatuetas no Oscar

ANGELO CORDEIRO | @ANGELOCINEFILO Publicado em 17/03/2023, às 11h17

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Brasileiro celebra vitória no Oscar e fala sobre novos projetos - Reprodução/Instagram
Brasileiro celebra vitória no Oscar e fala sobre novos projetos - Reprodução/Instagram

Mangueirense de coração, apaixonado por Carnaval, encantado pela culinária mineira, filho de carioca e vencedor de quatro categorias do Oscar. Assim é Daniel Dreifuss (44), produtor brasileiro que esteve no palco da maior premiação de cinema no último domingo (12) representando o filme alemão "Nada de Novo no Front". Agora, após ter entrado para a história da premiação, ele não esconde a vontade de produzir no país que cresceu.

"Fico feliz em ser um brasileiro que pode contar histórias pelo mundo e adoraria contar histórias no Brasil", afirma o produtor, em entrevista exclusiva à CARAS Brasil, parceira de CineBuzz.

Apesar de morar há 20 anos nos Estados Unidos, Dreifuss não esconde a saudade que sente pelo Brasil e adianta que já tem três projetos preparados para o país, sendo duas minisséries e um longa-metragem. 

Dreifuss conta que o filme será ficcional, com inspiração na sociedade brasileira, e as séries baseadas em obras de um jornalista brasileiro, Fernando Molica, e um escritor norte-americano. Ele reforça que está aberto a histórias brasileiras que cheguem até ele. Para o artista, o cinema nacional é interessante e possui novas potências de trabalho, que ainda precisam de apoio governamental. "Os últimos quatro anos foram um desastre para a cultura, apoio zero, a indústria é muito dependente do governo."

Apesar do sucesso no cinema e planos para projetos futuros, ele relembra que a carreira artística nem sempre foi uma certeza em sua vida. O produtor nasceu na Escócia enquanto seu pai, o cientista político René Dreifuss, fazia um doutorado. Mas foi em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, que ele cresceu e passou a admirar o cinema.

Ele começou a assistir filmes clássicos do cinema europeu ao lado de sua mãe, e a lista incluia títulos como Cinema Paradiso, Festa de Babete, Minha Vida de Cachorro, Império Conquistador e Império do Sol, e isso abriu uma janela em sua vida, mas não determinou logo de cara o trabalho com o cinema. "Desde pequenininho eu falava que seria gemólogo, depois que ia fazer biologia marinha e na faculdade fiz publicidade, achando que queria marketing."

Dreifuss fez faculdade no Rio de Janeiro e sua relação com a indústria cinematográfica começou quando trabalhava com planejamento estratégico. Com o fim do curso e a morte de seu pai, em 2003, ele resolveu juntar o que tinha em duas malas e se mudar para Los Angeles, com um visto de estudo para a UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) e a casa de uma amiga de sua mãe para passar os primeiros meses.

"Vim realmente sozinho", acrescenta o artista. Ele começou a atuar como produtor após concluir o mestrado em produção e logo em seu primeiro filme já recebeu uma indicação ao Oscar. Com No, trama sobre ditadura lançada no ano de 2012, ele concorreu ao Oscar de Melhor Filme Internacional no ano de 2013 e levou, pela primeira vez, o Chile até a premiação.

"Eu já tinha uma compreensão bem clara de que tipo de cinema eu queria fazer", completa Dreifuss. Ele explica que, para investir anos em um projeto, precisa encontrar um gancho pessoal, que o faça ter motivação para continuar na produção. O que não foi diferente com "Nada de Novo no Front".

Assim como os personagens da trama, o avô de Dreifuss lutou durante a 1ª Guerra Mundial defendendo a Alemanha. Porém, ele sofreu um ferimento nas costas e voltou para casa, diferente de seu primo, que se manteve no Front e morreu nas últimas horas do embate. "O primo dele é um dos jovens que morreu nas últimas horas da guerra", completa.

Para o artista, produzir o filme "pacifista e antibélico" como classifica, foi o encerramento de um ciclo da história de sua família. Seu avô, um judeu alemão, foi enviado para um campo de concentração na 2ª Guerra Mundial e conseguiu fugir para o Uruguai, país onde nasceu René, pai do produtor. Dreifuss conta que o filme originalmente seria feito em inglês, mas, como as produtoras dos Estados Unidos rejeitaram a ideia, ele sugeriu voltar para a Alemanha, em 2019, e trabalhar no país.

"É um sonho maior do que eu poderia ter sonhado, ser produtor de um filme que ganhou quatro Oscars. Vou ser para sempre produtor de um filme que ganhou Oscar. É o filme mais premiado da história da Alemanha e da Netflix. É o reconhecimento de um trabalho de anos de dedicação. É um bonito fim de um ciclo."

O filme é uma adaptação do clássico livro de Primeira Guerra Mundial, estrelada por Daniel Bruhl ("Falcão e o Soldado Invernal") e dirigida por Edward Berger ("Patrick Melrose"). A trama acompanha Paul Bäumer (o estreante Felix Kammerer), um soldado raso alemão que se vê na linha de frente da Primeira Guerra Mundial.

Além de Bruhl e Kammerer o filme conta ainda com Albrecht Schuch ("Transtorno Explosivo"), Sebastian Hülk ("A Fita Branca"), Anton von Lucke ("Frantz") e Joe Weintraub ("Jojo Rabbit") no elenco.

Sobre o Oscar 2023

A 95ª cerimônia do Oscar, considerado o prêmio mais prestigiado do cinema, aconteceu na noite de domingo (12), em Hollywood. Grande destaque na edição deste ano, "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo" venceu sete prêmios no Oscar 2023, incluindo o mais disputado da noite, o de Melhor Filme.

Michelle Yeoh venceu uma difícil queda de braço com Cate Blanchett, por "Tár", e conquistou a estatueta de Melhor Atriz. O prêmio de Melhor Ator Coadjuvante ficou para Ke Huy Quan e o de Melhor Atriz Coadjuvante, disputado por Stephanie Hsu e Jamie Lee Curtis, acabou ficando com a eterna "rainha do grito". O longa ainda ganhou Melhor Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição.

Na sequência, "Nada de Novo no Front" também se destacou ao vencer quatro estatuetas, incluindo a Melhor Filme Internacional. "A Baleia", filme mais recente de Darren Aronofsky ("Mãe!", "Cisne Negro"), ganhou duas categorias, com destaque para a de Melhor Ator, vencida por Brendan Fraser.

Confira a lista completa de vencedores da 95ª edição do Oscar, que aconteceu na noite de domingo, dia 12 de março, clicando aqui.


Para qual lançamento de 2023 você está mais ansioso? Vote em seu filme favorito!

  • "Shazam! Fúria dos Deuses" (16 de março)
  • "John Wick 4: Baba Yaga" (23 de março)
  • "O Urso do Pó Branco" (30 de março)
  • "Super Mario Bros. O Filme" (6 de abril)
  • "Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes" (13 de abril)
  • "Guardiões da Galáxia: Volume 3" (4 de maio)
  • "Renfield: Dando Sangue Pelo Chefe" (4 de maio)
  • "Velozes & Furiosos 10" (18 de maio)
  • "A Pequena Sereia" (25 de maio)
  • "Homem-Aranha: Através do Aranhaverso" (1º de junho)
  • "Transformers 7: O Despertar das Feras" (8 de junho)
  • "The Flash" (16 de junho)
  • "Indiana Jones e o Chamado do Destino" (29 de junho)
  • "Missão Impossível: Acerto de Contas - Parte 1" (13 de julho)
  • "Barbie" (20 de julho)
  • "Oppenheimer" (20 de julho)
  • "Besouro Azul" (17 de agosto)
  • "As Marvels" (10 de novembro)
  • "Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes" (16 de novembro)
  • "Aquaman e o Reino Perdido" (21 de dezembro)

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