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TV e Séries / Séries / TRAGÉDIA DA KISS

"Todo Dia a Mesma Noite": Familiares das vítimas da boate Kiss pretendem processar Netflix

Familiares exigem que parte dos lucros com a série seja destinada aos sobreviventes e à construção de um memorial para as vítimas

FERNANDA AZEVEDO | @fenovello Publicado em 30/01/2023, às 12h30 - Atualizado às 12h45

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Familiares das vítimas da boate Kiss pretendem processar Netflix pela série "Todo Dia a Mesma Noite" - Reprodução/Netflix
Familiares das vítimas da boate Kiss pretendem processar Netflix pela série "Todo Dia a Mesma Noite" - Reprodução/Netflix

"Todo Dia a Mesma Noite", série da Netflix que relembra o incêndio na boate Kiss, responsável por vitimar 242 jovens e deixar outros 600 feridos em 2013, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, causou revolta em parte dos familiares das vítimas. As informações são do jornal GaúchaZH.

Baseado no livro no livro homônimo da jornalista Daniela Arbex, a produção mistura ficção e realidade para mostrar o que ocorreu naquele noite de 27 de janeiro, além da luta dos pais por justiça nos anos seguintes.

Porém, para um grupo de familiares, encabeçado pelo empresário Eriton Luiz Tonetto Lopes, que perdeu a filha, Évelin Costa Lopes, de 19 anos, a produção causou um sentimento de indignação e injustiça. "Nós fomos pegos de surpresa, ninguém nos avisou, ninguém nos pediu permissão. Nós queremos saber quem está lucrando com isso. Não admitimos que ninguém ganhe dinheiro em cima da nossa dor e das mortes dos nossos filhos", afirmou ao jornal.

"Queremos entender quem autorizou, quem foi avisado, porque muitos de nós não fomos. Há pais passando mal por causa da série. O mínimo que exigimos agora é que uma parte do lucro seja repassada para tratamento de sobreviventes e para a construção do memorial da Kiss. Nós não queremos nenhum dinheiro para nós", ainda disse Eriton à publicação gaúcha.

Alegando “exploração financeira da tragédia”, o grupo contratou a advogada Juliane Muller Korb para receber orientações jurídicas. De acordo com Muller, o principal objetivo é tentar um diálogo com o serviço de streaming para discutir a responsabilidade social e afetiva que produções como essa devem ter, assim como fazer com que parte dos lucros seja destinada aos sobreviventes, aos familiares das vítimas e à construção do memorial para os mortos.

"Todas as famílias sentem a mesma dor, mas de forma distinta, inclusive em relação a esta série. Todas têm mágoa com o poder judiciário e com a impunidade até aqui. A grande questão é que faltou sensibilidade, por parte da Netflix, de fazer um contato com os pais. Não para pedir permissão nem coibir a licença poética, pois a história não tem dono, mas para avisar que seria algo totalmente diferente de tudo que eles já viram", explicou a advogada ao jornal. 

"Eles estavam preparados para um documentário, não para uma série dramática. Os pais e os sobreviventes estão "acostumados" a ver materiais jornalísticos, com reproduções e relatos fidedignos. Mas a série é diferente. O impacto foi muito forte porque é uma simulação, uma reprodução, com rostos diferentes, com atores. Eles estão "acostumados" com o pós-tragédia. E a série mostra o antes, então, é como se ocorresse de novo. É uma linha muito tênue entre ficção e realidade", finalizou Muller em entrevista.

A advogada também acredita que uma ação de danos morais e sequelas médicas seja viável, pois, segundo esta, muitos pais voltaram a terapia por conta da produção. O encaminhamento da ação deve ser feito nesta semana.

O que diz a associação de familiares?

O grupo de familiares liderados por Eriton não faz parte da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), que atua na luta por justiça desde os primeiros dias após a tragédia.

Ao saber da notícia, a associação se manifestou sobre o caso no último domingo (29), através de uma nota assinada por Gabriel Rovadoschi Barros, sobrevivente do incêndio e presidente da entidade, em que esclarece que os familiares estavam "cientes que a produção estava sendo realizada com base nos personagens do livro" e que a AVTSM não está movendo nenhum processo contra a Netflix.

A nota diz ainda que a série "não retrata de forma individual os 242 jovens assassinados, mas sim um recorte das quatro famílias de pais que foram processados. Todos familiares de vítimas e sobreviventes retratados por personagens da obra estavam cientes e em concordância". Esse trecho se refere aos pais que foram processados por membros do Ministério Público após estes terem feito críticas à atuação dos promotores no caso.

A associação também revela que a produção é uma forma de denunciar todas as negligências com o caso para que tamanha tragédia não se repita no futuro. "Recontar essa história significa denunciar as inúmeras negligências e tentativas de silenciamento que encontramos pelo caminho, além de auxiliar na prevenção para que esse tipo de tragédia não aconteça com mais nenhuma família, algo que temos como propósito desde o primeiro dia de nossa fundação".

Até o momento, a Netflix não se manifestou sobre a questão.

Leia a nota na íntegra:

"Perante a divulgação em inúmeros veículos da imprensa acerca de um processo contra a empresa Netflix em função da série Todo Dia a Mesma Noite, a Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da tragédia de Santa Maria esclarece através desta nota que estávamos, sim, cientes que a produção estava sendo realizada com base nos personagens do livro Todo Dia a Mesma Noite: a História Não Contada da Boate Kiss, de Daniela Arbex, e sente-se representada por ela bem como pelo livro da autora.

A produção não retrata de forma individual os 242 jovens assassinados, mas sim um recorte das quatro famílias de pais que foram processados. Todos familiares de vítimas e sobreviventes retratados por personagens da obra estavam cientes e em concordância. Além disso, reiteramos que não estamos movendo nenhum processo contra as produções, nem pretendemos, por acreditarmos na potência das produções na luta por justiça e a luta por memória.

Acreditamos, acima de tudo, que tragédias como a que vivenciamos precisam ser contadas através de todas as formas. Recontar essa história significa denunciar as inúmeras negligências e tentativas de silenciamento que encontramos pelo caminho, além de auxiliar na prevenção para que esse tipo de tragédia não aconteça com mais nenhuma família, algo que temos como propósito desde o primeiro dia de nossa fundação.

 Mostrar o que aconteceu na Kiss faz com que a morte de nossos filhos e filhas, irmãos e irmãs, pais e mães, amigos e amigas não tenha sido em vão. Mostrar a morosidade, a burocracia e como é o sistema judiciário brasileiro serve como denúncia e como protesto. É preciso falar, debater, produzir materiais sobre o que aconteceu naquela trágica noite de 27 de janeiro de 2013, pois só assim conseguiremos que as pessoas entendam o que a ganância, a negligência e a omissão são capazes de fazer. Em Santa Maria, esses fatores mataram 242 jovens e deixaram 636 com marcas físicas e psicológicas.

Entendemos que rever a tragédia, principalmente nos dois primeiros episódios, pode mobilizar os sentimentos, as lembranças e dimensionar a impunidade em sua ferocidade e, com isso, a associação se disponibiliza a acolher e a promover ações para comporem o movimento por Justiça.

Por fim, esclarecemos que desde o dia 27 de janeiro de 2013, nós sofremos com a perda irremediável de nossos filhos, irmãos e amigos, sabemos o quanto isso nos dói. Não há nenhum valor sendo pago a nós com a produção, e o que ganhamos é a crença no fortalecimento na luta por justiça e pela memória. Para que não se repita.

Santa Maria, 29 de janeiro de 2023."


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