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#CineBuzzJáViu / CRÍTICA

"Babilônia" exibe os excessos e a decadência de uma Hollywood poucas vezes retratada | #CineBuzzIndica

Novo filme de Damien Chazelle, diretor de "La La Land", já está em cartaz nos cinemas brasileiros

ANGELO CORDEIRO | @ANGELOCINEFILO Publicado em 20/01/2023, às 12h00

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"Babilônia" exibe os excessos e a decadência de uma Hollywood poucas vezes retratada - Divulgação/Paramount Pictures
"Babilônia" exibe os excessos e a decadência de uma Hollywood poucas vezes retratada - Divulgação/Paramount Pictures

É interessante observar o cineasta que o jovem Damien Chazelle, de 38 anos, vem se tornando. Após uma estreia tímida em 2009, com “Guy and Madeline on a Park Bench”, filme que muitos só foram atrás após o sucesso da dobradinha “Whiplash” e “La La Land - Cantando Estações”, o diretor que filmou a chegada do homem à lua em “O Primeiro Homem”, agora investe seus esforços para retratar a Hollywood dos anos 20 sem o glamour visto em obras da época. “Babylon” é o filme mais ousado de sua carreira até então. No entanto, não é difícil de reconhecer nele o formalismo de Chazelle.

Estão presentes os sonhos de “La La Land”, as obsessões de “O Primeiro Homem”, a obstinação de “Whiplash” e aquela piscadela para o jazz, ritmo sobre o qual o cineasta se debruçou na minissérie “The Eddy”, além disso, a câmera do apaixonado diretor se mostra mais presente do que nunca e vai atrás de registrar toda a decadência, os excessos e a sujeira - literalmente! - daqueles anos que mudaram a história da sétima arte para sempre. É que seu novo filme, apesar de um recorte de tempo prolongado, tem como principal ponto de virada a transição do cinema mudo para o cinema falado, época na qual muitas estrelas caíram, enquanto outras surgiram.

Já em uma das cenas iniciais, Chazelle nos dá o seu cartão de visita ao revelar os exageros e a escatalogia que ele jamais ousou mostrar em quaisquer de suas obras anteriores: um dos protagonistas, vivido pelo ator Diego Calva, recebe um banho de fezes de um elefante. Logo em seguida, somos apresentados a uma orgia com muita nudez e sexo em uma festa que mais parece um carnaval fora de época, onde Nellie LaRoy, personagem de Margot Robbie, quer estar.

Ela é uma sonhadora que se diz estrela e quer fazer parte de algo “que se perpetue e tenha significado”. Por isso, é possível comparar a radiante Nellie à Sharon Tate de “Era Uma Vez em… Hollywood”, também interpretada por Robbie. Mesmo com intensidades e participações distintas, ambas personagens levam luz aos seus filmes. Em “Babylon”, Nellie é uma das protagonistas que acompanhamos de perto durante as mais de 3 horas de projeção. Um exagero? Talvez. Contudo, seu arco é aquele que melhor representa o que a Hollywood dos sonhos representa aos apaixonados por cinema: nem tudo o que reluz é ouro, mas a jornada em busca dele é gratificante.

O maior problema de “Babylon” é possuir tantos personagens, sendo três deles principais - além de Calva e Robbie, temos ainda Brad Pitt como um ator veterano em decadência já em seus últimos trabalhos -, ainda assim, é de se elogiar o que Chazelle consegue realizar em uma trama tão inchada, com vários altos e baixos, e uma energia caótica bastante semelhante ao que os primeiros trailers já indicavam: uma reconstrução de época fascinante diante de uma edição desorientada.

O design de produção é assinado por Florencia Martin, que só em 2022 trabalhou em “Licorice Pizza” e “Blonde” - uau! - e aqui, mais uma vez, ela reconstitui uma época que muitos de nós não vivemos mas para qual, de alguma forma, somos levados. Indo muito além de objetos, roupas e veículos que remetem aos anos 20, os trejeitos e sotaques dos personagens também contribuem para tal, fascinando e revelando o cuidado e o perfeccionismo de Chazelle a cada novo enquadramento.Se para alguns o seu “La La Land” se mostra extremamente calculado e metódico, em “Babylon”, creio que isso ficará menos evidente, já que a desordem da trama é um elemento charmoso e até revigorante.

E no meio de tanta perturbação narrativa, o título “Babilônia” ganha sentido. Em busca do céu, essa Hollywood começa a se erguer como uma torre de Babel para se tornar o principal pólo cinematográfico do mundo. De forma desordenada, antes de um período em que a censura e as normas morais foram impostas pelos grandes estúdios, Chazelle olha para muitos lados dessa trupe excêntrica e ambiciosa com os mesmos olhares apaixonados de Nellie e do disposto Manny (Calva).

Desde a alucinante e inacreditável sequência com a cobra, passando pela hilária primeira gravação com som, até a tensa aventura pelo “ânus de Los Angeles”, Chazelle vai colecionando uma mistura de momentos que nem sempre são coesos entre si. Enquanto algumas peças teimam em não se encaixar ou soam mais absurdas do que outras menos conturbadas, o final também se mostra deslocado, mais saudosista, romântico e até anti climático. É como se Chazelle nos dissesse: apesar de tudo, a emoção final é que nos encanta.

Mas, as cenas escolhidas pelo diretor surgem como homenagens vazias - cafonas até - de um cineasta querendo alavancar sua obra a um status ao qual ela ainda não atingiu, com isso, a emoção do personagem de Calva não comove por parecer um gatilho provocador ao espectador mais sentimental. Ao final, sobra ainda uma óbvia comparação com “Cantando na Chuva” que tira a força de “Babylon”, é como se Chazelle não confiasse na própria audiência e quisesse emocioná-la a todo custo: vejam, fiz este filme para homenagear Hollywood inspirado em um de seus maiores clássicos. Desnecessário mas, para sua sorte, a jornada valeu a pena.


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