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#CineBuzzJáViu / CRÍTICA

Cinema e família caminham juntos em "Os Fabelmans", o filme mais pessoal de Steven Spielberg | #CineBuzzIndica

Novo longa do diretor chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (12)

ANGELO CORDEIRO | @ANGELOCINEFILO Publicado em 12/01/2023, às 12h35

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Cinema e família caminham juntos em "Os Fabelmans", o filme mais pessoal de Steven Spielberg - Divulgação/Universal Pictures
Cinema e família caminham juntos em "Os Fabelmans", o filme mais pessoal de Steven Spielberg - Divulgação/Universal Pictures

Se você abriu esta crítica, provavelmente já ouviu falar de Steven Spielberg e creio que também deve conhecer alguns de seus filmes. A fama do diretor o precede. De clássicos como “Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros” a “A Lista de Schindler”, Spielberg emociona e impressiona com sua câmera e seu talento para contar histórias, por isso, seu mais novo longa, “Os Fabelmans”, poderá ser classificado por alguns como uma obra aquém dos blockbusters de sua carreira.

É que “Os Fabelmans” é um filme mais íntimo e pessoal, como o próprio diretor apresenta em um breve vídeo introdutório antes da sessão, no qual ele evidencia a importância de compartilharmos juntos a experiência em uma sala de cinema. Não espere encontrar grandes explosões como as de “O Resgate do Soldado Ryan”, uma trama investigativa como a de “Munique”, ou o tom de aventura visto em “Indiana Jones”, aqui veremos um Spielberg abrindo o seu coração e revelando em um coming of age um retrato emocional de sua própria família.

Nos últimos anos, diversos cineastas decidiram contar histórias de sua infância e, junto disso, revelar como se deu sua relação com a sétima arte. Entre os mais recentes estão Alfonso Cuarón, com “Roma”, Kenneth Branagh, com “Belfast”, e James Gray, com “Armageddon Time”. No entanto, enquanto tais diretores procuraram dar a seus filmes temas “maiores” como o massacre estudantil em 1971 no México, a guerra civil na Irlanda no fim dos anos 60, e a discriminação racial nos Estados Unidos na década de 80, Spielberg lança olhar para a família e o cinema. Ou seja, ele não “confunde” sua história com outro grande evento, os Fabelmans são o centro da narrativa.

Spielberg poderia nos conduzir por uma egotrip tal qual Alejandro González Iñárritu fez em “Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades”, mas ele se afasta dessa autoindulgência. No lugar disso, ele promove um filme sobre sua infância se valendo da fórmula que ele aplica na maioria de sua filmografia: as relações entre pais e filhos são o centro de tudo, não importa quão grandiosa a produção seja. Ora, e como não ser assim? Ao assistirmos “Os Fabelmans”, vamos compreendendo o motivo de tantas e tantas personagens em conflito em longas como “Guerra dos Mundos” - lembram de como Tom Cruise sofria para lidar com o filho mais velho? - ou como em “E.T. - O Extraterrestre” o tema “pai” era extremamente sensível para a mãe?

A figura da mãe é peça chave em “Os Fabelmans”. A personagem vivida por Michelle Williams é vista como a maior incentivadora do filho em sua paixão pela arte. Ela e o pai (Paul Dano) são praticamente um contraponto nesse sentido. E uma das primeiras cenas já deixa isso evidente, quando o jovem Sam (Mateo Zoryon Francis-DeFord) diz ter medo das pessoas gigantes do cinema, e os dois tentam convencê-lo de que não há perigo: o pai explica pragmaticamente como um filme funciona, enquanto a mãe apela para o coração: é mágico.

A partir daí, é emocionante como uma criança que tinha medo de ir ao cinema se impressiona com o clássico vencedor do Oscar de Melhor Filme em 1953, “O Maior Espetáculo da Terra”, mais especificamente com a cena de batida entre um trem e um carro, e isso vira motor para o resto de sua vida. Trauma e paixão. Nasce aí a necessidade do jovem Sam de ter domínio sobre seus maiores medos, o que também justifica o cineasta Spielberg sempre ter imputado relações paternais em seus filmes, parece que o diretor utiliza de sua obra como uma espécie de terapia para lidar com questões mal resolvidas do seu passado.

E o diretor faz isso ao mesmo tempo que brinca de fazer cinema. Quando Sam cresce e vira um adolescente (Gabriel LaBelle), parece que estamos diante de um jovem Spielberg relembrando como foi realizar seus primeiros filmes, sem a facilitadora tecnologia de hoje, com uma parafernália e truques que encantam os olhos dos mais saudosistas. São nesses momentos genuínos que o diretor se mostra mais ególatra, ainda assim, Spielberg não os desperdiça, fazendo deles uma experiência coletiva e sempre muito emotiva. Vide a cena da dança da mãe sob a luz dos faróis do carro.

Com isso, Spielberg, na pele de Sam, vai nos mostrando que o cinema sempre foi sua grande paixão, mas que, diferentemente do que fez seu tio Boris - vivido por Judd Hirsch em uma ponta deliciosamente encantadora -, não era preciso separar família e arte. Uma coisa dá força e razão à outra. E é justamente a partir dessas duas paixões que Sam vai amadurecendo enquanto pessoa e enquanto artista, do garotinho que tinha medo de cinema ao futuro cineasta que tem um encontro com um dos principais diretores da história do cinema, da criança sonhadora que filmava seu ferrorama batendo ao jovem que manipula o filme da viagem de formatura da escola. Ao final, “Os Fabelmans” é a prova de que, para Steven Spielberg, cinema e família podem caminhar juntos.

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