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"A Menina que Matou os Pais": Duas versões (que ninguém pediu) da história de Suzane von Richthofen | Crítica

Junto com "O Menino que Matou Meus Pais", longas chegam ao Amazon Prime Video nesta sexta-feira (24)

Henrique Nascimento | @hc_nascimento Publicado em 23/09/2021, às 14h15

"A Menina que Matou os Pais" e "O Menino que Matou Meus Pais" estreiam na Amazon Prime Video nesta sexta-feira (24) - Divulgação/Galeria Distribuidora
"A Menina que Matou os Pais" e "O Menino que Matou Meus Pais" estreiam na Amazon Prime Video nesta sexta-feira (24) - Divulgação/Galeria Distribuidora

Mesmo que inconscientemente, o ser humano tem um certo fascínio pela morte. Sempre que alguém morre, a pergunta que vem à cabeça é "de quê?", ainda que ela não seja proferida. Quando a morte é escandalosa, aí é que alguns de nós embarcam de vez na história, a fim de saber exatamente o que aconteceu.

Talvez seja por isso que produções sobre serial killers, como "Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy", sobre o notório feminicida da década de 1970; e "Cena do Crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil", que aborda o desaparecimento e a morte da jovem Elisa Lam, tenham feito e continuam fazendo muito sucesso.

Para engrossar a lista de produções true crime, estreiam no Amazon Prime Video, nesta sexta-feira (24), os aguardadíssimos filmes "A Menina que Matou os Pais" e o "O Menino que Matou Meus Pais", sobre o infame assassinato do casal Von Richthofen, orquestrado pela filha deles, Suzane von Richthofen. Porém, diferentemente das produções já citadas, eles não têm potencial para entrar na lista dos favoritos de fãs do gênero.

Os filmes tiveram a inestimável sorte de serem lançados diretamente no streaming, por adiamentos causados pela pandemia de coronavírus. Não fosse isso, a ira dos espectadores - que pagariam não um, mas dois ingressos para conhecer a história dirigida por Maurício Eça ("Carrossel: O Filme") - seria sem precedentes.

Com roteiros de Ilana Casoy, "Casos de Família: Arquivos Richthofen", e Raphael Montes, com quem a escritora co-escreveu "Bom Dia, Verônica", as produções criam uma história dúbia - sua intenção desde o princípio, quando bateram o martelo sobre dois filmes -, mas enfadonhas. Tanto um quanto o outro nada mais são do que um "disse me disse" que, no final, não dizem nada.

Não há nada que leve o público a crer, realmente, quais papéis Suzane von Richthofen (interpretada por Carla Diaz) e Daniel Cravinhos (Leonardo Bittencourt) tiveram no planejamento da morte dos pais da garota. Entre saber se a filha foi a mente por trás do crime ou uma garota inocente influenciada pelo namorado insatisfeito, pouco importa: na vida real, ambos assumiram a autoria dos homicídios, foram julgados, condenados e estão presos. 

De qualquer forma, o filme abre a possibilidade de redenção tanto para Suzane quanto para Daniel, a depender de qual ponto de vista convencer mais o espectador, e apresenta detalhes sobre a família Von Richthofen - como um casamento disfuncional, permeado por casos extraconjugais, violência doméstica e até abuso sexual -, que devem despertar a curiosidade de quem assiste. Ainda assim, não valem os dois ingressos que pagaríamos para ver nas telonas.