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“Luana Muniz: Filha da Lua” conta a história da Rainha da Lapa | #CineBuzzIndica

Filme chega aos cinemas nesta quinta-feira (12) e nós conversamos com Rian Córdova, codiretor da produção

Redação Publicado em 12/08/2021, às 18h00

"Luana Muniz: Filha da Lua" conta a história da Rainha da Lapa - Guilherme Correa
"Luana Muniz: Filha da Lua" conta a história da Rainha da Lapa - Guilherme Correa

“Travesti não é bagunça!” foi o bordão que tornou Luana Muniz famosa. Dita em uma reportagem sobre o mercado da prostituição, a frase vinha de uma mulher que não tolerava baboseiras e, naquele momento, se sentia enganada por um suposto cliente, ainda mais em seu reino. Afinal, ela era a Rainha da Lapa, como Luana era conhecida por amigos, conhecidos e fãs, em referência bairro boêmio do Rio de Janeiro onde costumava trabalhar.

Luana saiu de casa na adolescência. Não tinha como chegar a um acordo com a família sobre ser quem eles esperavam e quem realmente era, então decidiu ganhar a vida com a prostituição. Enfrentou diversos percalços, mas sobreviveu a todos eles. Tornou-se artista e foi admirada por muitos. Também se tornou mãe, sem nunca ter gestado um filho sequer.

A história de Luana agora é contada no documentário “Luana Muniz: Filha da Lua“, que chega a salas de cinema de todo o país nesta quinta-feira (12), anos após impressionar espectadores e receber diversos prêmios em festivais nacionais e internacionais. Na produção, Luana abre a sua vida, sem pudores, e fala sobre a sua trajetória como travesti, artista, prostituta, ativista e ícone da comunidade LGBTQIA+:

“A Luana era uma pessoa muito comprometida com a verdade. Ela não tinha papas na língua para falar de determinados assuntos, seja sobre drogas, prostituição, sobre ser travesti”, contou o codiretor de “Luana Muniz: Filha da Lua”, Rian Córdova, em entrevista ao CineBuzz.

O cineasta revelou que a ideia para o documentário, dirigido em parceira com Leonardo Menezes, surgiu durante a produção de “Lorna Washington: Sobrevivendo a Supostas Perdas”, que contou com a participação de Luana: “A gente acabou se aproximando e, logo quando fechamos o filme da Lorna, eu fiz a proposta para ela“, declarou.“Ela não só deu entrevista, como acompanhou o processo. Indicou pessoas, amigos, artistas pra fazer também parte do projeto dela”.

A cantora Alcione, o padre Fábio de Melo e muitos outros amigos e conhecidos de Luana ajudam a contar a sua história, mas Córdova garante que a ideia era deixá-la falar por si mesma, sem filtros: “A gente fez questão de não ter uma interpretação higienizada sobre a figura da Luana, que era muito polêmica”, afirmou.

Diferentemente de outras personagens trans e travestis que são retratadas em alguns dos programas que a gente vê por aí, a gente teve realmente a preocupação de ter um lugar de fala dela muito forte no filme e não se aproveitar disso, não fazer disso um meme”, acrescentou Córdova.

A Luana saiu de casa na adolescência para se prostituir. Ela modificou o seu corpo na ditadura, trabalhou em diversos países da Europa. Ela não tinha papas na língua em relação a diversos assuntos. Em relação a drogas, sexo, violência e mercado de prostituição”, complementou.

Luana morreu em maio de 2017, antes de o filme ser finalizado e ela poder ver sua história contada nas telonas. No entanto, a sua morte acabou não sendo um fim do caminho para a sua história: “Quando ela falece, novas histórias vêm a tona. Novas pessoas se abrem pra contar, até mesmo pessoas que tinham receio de falar alguma coisa. Com o falecimento dela, ela também acaba sendo homenageada em vários lugares e com uma nova geração”, revelou Córdova.

“A história dela é muito inspiradora, muito impactante. Eu acho que Luana é uma daquelas personagens que vive uma saga de heroína e a gente torce para que ela vire o jogo no final, vença no final”, concluiu o cineasta. Assista à entrevista com Rian Córdova, codiretor de “Luana Muniz: Filha da Lua”: