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"Pantera Negra 2" transforma o herói em coadjuvante de sua própria história | Crítica

"Pantera Negra: Wakanda Para Sempre" estreia nos cinemas com a missão de substituir o Pantera Negra de Chadwick Boseman, mas sem a menor ideia de como fazer isso

Henrique Carvalho-Nascimento | @hc_nascimento Publicado em 08/11/2022, às 13h00 - Atualizado em 09/11/2022, às 21h00

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"Pantera Negra: Wakanda Para Sempre", que estreia nesta quinta-feira (10) nos cinemas, deixa evidente a falta que Chadwick Boseman faz - Reprodução/Marvel Studios
"Pantera Negra: Wakanda Para Sempre", que estreia nesta quinta-feira (10) nos cinemas, deixa evidente a falta que Chadwick Boseman faz - Reprodução/Marvel Studios

Quando Ryan Coogler, diretor de "Pantera Negra", e Kevin Feige, presidente da Marvel Studios, confirmaram o lançamento de "Pantera Negra 2", em agosto de 2019, Chadwick Boseman também era carta certa no baralho. Tudo mudou quando, um ano depois, ele nos deixou, vítima de um câncer.

O mundo perdeu não só Chadwick, que havia alavancado a sua carreira a partir de sua estreia no Universo Cinematográfico da Marvel, mas o Pantera Negra, que dois antes havia tomado a Marvel de assalto ao se tornar muito mais do que apenas um herói, mas um símbolo de representatividade para muitos fãs do gênero ao redor do mundo.

"Pantera Negra: Wakanda Para Sempre", que estava marcado para maio deste ano, continuou com seu cronograma normal e sofreu apenas uma pequena alteração meses depois, que jogou a sua data de estreia para o 10 de novembro em que a sequência chega aos cinemas, deixando evidente o quanto a morte de seu protagonista deixou Coogler sem ter para onde ir.

O longa começa com um aceno à realidade, mostrando T'Challa morrendo subitamente de uma misteriosa doença e o emocionante velório do rei e protetor de Wakanda. Depois, ele passa a caminhar por conta própria e mostra que, sem o Pantera Negra, o país agora está muito mais suscetível a ataques externos, especialmente de outros países, interessados no vibranium.

No entanto, quando uma cientista desenvolve um detector do metal mais poderoso do mundo e faz com que o minério seja descoberto no fundo do mar, Namor (Tenoch Huerta), líder da nação subaquática Talocan, precisa se mover para impedir que o seu povo, escondido há centenas de anos, seja descoberto e destruído.

Tenoch Huerta Mejía vive Namor, o antagonista de "Pantera Negra: Wakanda Para Sempre" (Foto: Reprodução/Marvel Studios)
Tenoch Huerta Mejía vive Namor, o antagonista de "Pantera Negra: Wakanda Para Sempre" (Foto: Reprodução/Marvel Studios)

Por esse motivo, ele coloca a rainha Ramonda (Angela Bassett) contra a parede e demanda que ela repare as consequências da exposição de Wakanda e do metal ao mundo.  No entanto, quando os líderes da poderosa nação discordam sobre a solução, o perigo de uma guerra entre Wakanda e Talocan se torna cada vez mais real.

Em sua tentativa de ser ainda maior que o seu antecessor, mesmo com o grande baque que sofreu, "Wakanda Para Sempre" por pouco não se sufoca em sua grandiosidade. Há tanta história para contar, novos personagens para apresentar e construções a serem feitas - já que, afinal, estamos falando de um universo compartilhado -, que tudo acaba sufocado em duas horas e tanto de filme.

Riri Williams é um grande exemplo disso. A jovem, vivida por Dominique Thorne ("Se a Rua Beale Falasse..."), é jogada no meio da história e serve, essencialmente, para mantê-la acontecendo. Porém, o filme faz mal uso da sua presença e queima largada em sua estreia na franquia, adiantando a sua transformação na Coração de Ferro só para voltar à estaca zero momentos depois e dar a oportunidade de ela fazer a mesma coisa em "Ironheart", série do Disney+ dedicada à personagem, que estreia em 2023.

"Pantera Negra: Wakanda Para Sempre" introduz a inteligente e divertida Riri Williams (Dominique Thorne), mas queima largada ao transformá-la, tão cedo, na heroína Coração de Ferro (Foto: Reprodução/Marvel Studios)
"Pantera Negra: Wakanda Para Sempre" introduz a inteligente e divertida Riri Williams (Dominique Thorne), mas queima largada ao transformá-la, tão cedo, na heroína Coração de Ferro (Foto: Reprodução/Marvel Studios)

Porém, o maior erro de "Wakanda Para Sempre" é a apresentação do novo Pantera Negra, que fica reservada ao seu terceiro e último ato. É óbvio que ninguém tinha a intenção de substituir T'Challa tão cedo e isso fica tão claro, mas tão claro, que até incomoda. Não há uma construção do personagem como herói, como aconteceu em "Ms. Marvel", por exemplo, ou uma reapresentação do Pantera Negra, como foi para Wanda Maximoff em "WandaVision".

O filme, aliás, caminha muito bem sozinho sem ter um Pantera Negra e, me atrevo a dizer, poderia ter continuado assim, encaminhando-se para um caminho diferente e ousado, de trazer o herói apenas como um símbolo de resistência e empoderamento para o povo de Wakanda, já que é nítido que o longa é sobre a reconstrução de uma nação após a perda de seu líder.

"Pantera Negra: Wakanda Para Sempre" introduz um novo escolhido para assumir o manto do herói vivido, anteriormente, por Chadwick Boseman (Foto: Reprodução/Marvel Studios)
"Pantera Negra: Wakanda Para Sempre" introduz um novo escolhido para assumir o manto do herói vivido, anteriormente, por Chadwick Boseman (Foto: Reprodução/Marvel Studios)

Ao invés de seguir por esse caminho, que funcionaria até o seu desfecho, "Wakanda Para Sempre" força a escolha de um novo herói e deixa evidente que não era isso que queria fazer. É frustrante notar a simplicidade com que os problemas no roteiro poderiam ser resolvidos porque, durante uma hora e meia, o longa é excelente.

Porém, as decisões de trazer esse novo Pantera Negra de uma forma apressada apenas deixaram a impressão de que o herói se tornou um coadjuvante em sua própria história, o que é terrível se considerarmos o impacto que o personagem teve em 2018. 

Infelizmente, "Pantera Negra: Wakanda Para Sempre" é o desfecho perfeito para um péssimo ano para a Marvel nos cinemas. Talvez seja hora do estúdio olhar com mais carinho para as suas séries, como "Ms. Marvel" e "Mulher-Hulk: Defensora de Heróis", que brilharam bem mais esse ano. Agora, é esperar pela Fase 5 e torcer para que ela nos presenteie com novas produções à altura do sucesso da franquia.


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  • "Pantera Negra: Wakanda Para Sempre" (10 de novembro nos cinemas brasileiros)
  • "Guardiões da Galáxia: Especial de Natal" (25 de novembro no Disney+)
  • "What If...?" - 2ª Temporada (Início de 2023 no Disney+)
  • "Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania" (16 de fevereiro de 2023 nos cinemas brasileiros)
  • "Invasão Secreta" (Entre março e junho de 2023 no Disney+)
  • "Guardiões da Galáxia 3" (4 de maio de 2023 nos cinemas brasileiros)
  • "Echo" (Entre junho e agosto de 2023 no Disney+)
  • "As Marvels" (27 de julho de 2023 nos cinemas brasileiros)
  • "Loki" - 2ª Temporada (Entre junho e agosto de 2023 no Disney+)
  • "Coração de Ferro" (Entre setembro e novembro de 2023 no Disney+)
  • "Agatha: Coven of Chaos" (Fim de 2023/Início de 2024 no Disney+)
  • "Capitão América: Nova Ordem Mundial" (2 de maio de 2024 nos cinemas brasileiros)
  • "Daredevil: Born Again" (Entre março e junho de 2024 no Disney+)
  • "Thunderbolts" (25 de julho de 2024 nos cinemas brasileiros)
  • "Blade" (5 de setembro de 2024 nos cinemas brasileiros)
  • "Deadpool 3" (7 de novembro de 2024 nos cinemas brasileiros)
  • "Quarteto Fantástico" (13 de fevereiro de 2025 nos cinemas brasileiros)
  • "Vingadores: A Dinastia Kang" (1º de Maio de 2025 nos cinemas brasileiros)
  • "Vingadores: Guerras Secretas" (30 de abril de 2026 nos cinemas brasileiros)

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