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Papai Noel apela para a violência para salvar o espírito natalino no insano “Noite Infeliz” | #CineBuzzIndica

Filme estrelado por David Harbour chega nesta quinta-feira (1) aos cinemas

ANGELO CORDEIRO | @ANGELOCINEFILO Publicado em 01/12/2022, às 10h00

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Papai Noel apela para a violência para salvar o espírito natalino no insano “Noite Infeliz” - Divulgação/Universal Pictures
Papai Noel apela para a violência para salvar o espírito natalino no insano “Noite Infeliz” - Divulgação/Universal Pictures

O Natal é uma das datas comemorativas mais celebradas do ano e também sinônimo de fraternidade, harmonia e reconciliação - menos para o Papai Noel, interpretado por David Harbour, o Hopper de “Stranger Things”. Após tanto tempo entregando presentes, o bom velhinho está de saco cheio - de estresse - e considera a data um sinônimo de ganância, com crianças que já têm de tudo querendo ainda mais. Mesmo assim, ele segue fazendo o seu trabalho, pelo menos até a noite que iremos testemunhar.

Essa é a premissa de “Noite Infeliz”, noite que o Noel promete que será a sua última no cargo. Na história dos roteiristas Josh Miller e Patrick Casey, o Papai Noel está cumprindo com o seu dever em mais uma véspera comum de Natal, até que a luxuosa casa em que ele está é invadida por uma gangue de mercenários brutais. Quando a gangue faz uma rica família de refém, o Papai Noel decide se envolver para tentar salvar o Natal deles.

As produções natalinas são uma febre em todo final do ano. Antigamente, se elas não iam para o cinema, abundavam no mercado de homevideo, agora, com as plataformas de streaming, inúmeros títulos que se passam na data estreiam nos últimos meses do ano. Só em 2022 já tivemos o especial de Natal dos Guardiões da Galáxia; “Uma Quedinha de Natal”, com Lindsay Lohan; “Spirited - Um Conto Natalino”, com Ryan Reynolds e Will Ferrell; “Uma História de Natal Natalina”, continuação do clássico de 1984; fora as produções que ainda devem chegar até o fim de dezembro.

O Natal aquece o mercado cinematográfico mas, para chegar aos cinemas, é preciso que um filme chame atenção por algum diferencial e que tenha algo a mais a oferecer além do que as demais produções com temáticas natalinas já exploraram tanto, e “Noite Infeliz” tem esse diferencial até certo ponto. Não que a ideia de um Papai Noel violento seja novidade, mas essa é uma ideia que, por si só, desperta a curiosidade do espectador.

Os nomes envolvidos na produção dizem muito sobre as intenções do filme. A equipe traz em sua bagagem fitas de ação como “Anônimo”, “Noite de Jogos”, “John Wick”, “Atômica”, “Deadpool 2” e “Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw”, ou seja, o exagero e a diversão são ingredientes essenciais. E “Noite Infeliz” conta com ação, violência, porradaria, muito sangue, piadas vulgares e, claro, as idiotas também.

Talvez os mais desavisados não conheçam o diretor Tommy Wirkola, mas o norueguês tem em seu currículo um filme com outras figuras do imaginário infantil: João e Maria, no longa estrelado por Jeremy Renner e Gemma Arterton, que não foi lá muito bem recebido pela crítica, o infame “João e Maria: Caçadores de Bruxas”. No entanto, Wirkola não quer ressignificar a data natalina, não investe em uma nova roupagem ao Papai Noel e sequer quer tirar a magia de uma época tão especial a tantas pessoas. Pelo contrário. Tudo isso segue essencial à história.

A data é importante, principalmente para a jovem Trudy (Leah Brady), que ainda acredita no Papai Noel. É por ela que o personagem de David Harbour se afeiçoa e por quem ele decide meter a porrada em geral, rendendo sequências violentas que, se não são tão inspiradas quanto as de “John Wick”, pelo menos divertem e funcionam em sua proposta.

Como este não é um filme para crianças, brincar com a figura do bom velhinho e torná-lo um justiceiro resmungão que fala palavrão, mata bandidos e fica bêbado acaba fazendo com que esta figura folclórica ganhe a empatia do público adulto. Este sim é um Papai Noel crível e com quem eles podem se identificar. Ele não chega a ser o “Papai Noel às Avessas” de Billy Bob Thornton, mas ambos provavelmente tomariam umas cervejas juntos.

O carisma de David Harbour emana a cada gesto ou atitude de seu personagem. Desde um simples ato de se deliciar com um biscoito natalino até o de enxergar a pureza em uma criança, ficando provado que o espírito natalino pode amaciar até mesmo os mais brutos. Do outro lado, John Leguizamo lidera a gangue dos mercenários, que ganham nomes de personagens e itens natalinos, como Pisca-Pisca, Scrooge, Krampus, e por aí vai. Surgem como grande ameaça, mas a existência de todos ali é óbvia: morrer pelas mãos do Noel. Se possível, da forma mais brutal, original e hilária.

O longa busca ainda homenagear dois grandes clássicos natalinos, considerados por muitos os melhores do subgênero: “Duro de Matar” e “Esqueceram de Mim”. A homenagem a “Duro de Matar” fica mais no campo da proximidade entre as fórmulas, por ambos terem pessoas que são feitas de refém enquanto um herói tenta salvá-las de um vilão implacável. Já “Esqueceram de Mim”, além de ser citado por Trudy, tem a cena das armadilhas para os bandidos ganhando uma nova abordagem, mais violenta, afinal, essa é a proposta aqui.

A produção até tenta ser super original com sua ideia de mostrar um Papai Noel sanguinário. E até se sai bem quando foca nisso, graças à força de tela de David Harbour e a algumas mortes com bastante gore. No entanto, quando parte para explorar os laços familiares, com personagens completamente descartáveis e difíceis de se criar empatia, ele cai na vala comum de vários outros filmes natalinos. Ao final, o saldo é positivo pois diverte, "Noite Infeliz" vale como sessão pipoca para o Natal de 2022, mas não deve entrar para a lista de filmes obrigatórios para natais futuros.

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