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#CineBuzzJáViu / CRÍTICA

“Tár” é a cinebiografia que todo gênio merece | #CineBuzzIndica

Cate Blanchett venceu diversos prêmios e está indicada ao Oscar de Melhor Atriz por seu papel no filme

ANGELO CORDEIRO | @ANGELOCINEFILO Publicado em 27/01/2023, às 14h26

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“Tár” é a cinebiografia que todo gênio merece - Divulgação/Universal Pictures
“Tár” é a cinebiografia que todo gênio merece - Divulgação/Universal Pictures

Antes de mais nada, preciso deixar claro que “Tár” não é uma obra baseada em uma personagem real e creio que este seja o maior mérito do filme protagonizado por Cate Blanchett. O diretor Todd Field (“Pecados Íntimos”) confessa ter escrito a protagonista pensando justamente em Blanchett. É quase como se fosse um perfil encomendado ao talento da atriz. O resultado: prêmio Coppa Volpi de Melhor Atriz no Festival de Veneza, onde o filme fez sua estreia, vitória no Globo de Ouro como Melhor Atriz em Drama, Prêmio Critics' Choice e indicação ao Oscar de Melhor Atriz - caso ela ganhe, e as chances são altas, eu volto aqui para atualizar a crítica.

Assim como Blanchett, Lydia Tár também é multipremiada. A maestro extremamente popular é apresentada nos minutos iniciais como detentora do EGOT, os quatro principais prêmios da indústria do entretenimento norte-americana: Emmy (TV), Grammy (música), Oscar (cinema) e Tony (teatro). E, apesar do sucesso à frente da Orquestra Filarmônica de Berlim - a primeira mulher a tal -, por trás da pose de gênia, Lydia Tár esconde uma personalidade bastante controversa.

Por ser uma lésbica em um ambiente dominado por homens, seria natural que Tár fosse apresentada como uma mulher à frente de seu tempo, lutando com sororidade ao lado de outras mulheres. Bem, não é este o caso aqui. Field constrói uma personalidade intragável, narcisista, egoísta e anti ética - e Blanchett dá conta de tornar Lydia odiável. Sua Tár é capaz de favorecer a quem ela bem entender em troca de favores sexuais, afinal, ela se sente confortável ocupando um posto na elite artística que lhe garante esse poder, sendo capaz até mesmo de destruir os sonhos de qualquer jovem musicista sem pensar nas consequências.

Se fosse um homem, Lydia Tár seria como outros inúmeros que bem conhecemos por aí, mas como é uma mulher, a personagem se torna intrigante. Ora, imagine só se Tár fosse uma personalidade que realmente existe. Será que teríamos uma cinebiografia tão honesta, capaz de destrinchar a intimidade de uma artista aclamada em plena época da cultura do cancelamento? Sem chance. No mínimo, o longa ganharia o selo de cinebiografia não autorizada.

Por conta dessa falta de conhecimento prévio de quem é aquela mulher que, a princípio, pode ser admirada por seus feitos musicais, mas que aos poucos vai nos causando aversão, “Tár” ganha camadas ao compasso que nos apresenta outras esferas da personagem além de seu campo profissional. Entra em jogo aquilo que define a moral de uma pessoa: as relações familiares e os laços afetivos. Se Noémie Merlant e Nina Hoss servem como coadjuvantes de luxo, é graças a tais personagens que vamos tirando Tár do pedestal em que ela própria se coloca.

“Tár” se encaixa naquela discussão polêmica de nossos tempos e pós #MeToo: É possível separar a obra do artista? Afinal, o que fica para as gerações futuras, quem um artista foi ou o que ele produziu? Para Tár não há dúvida, a intenção do artista sobrevive a quaisquer de seus atos. Há um poder emocional e intelectual nas obras que sobrevivem a tudo. Inclusive, em certa cena, a personagem fala aos seus alunos que é preciso ler as partituras dos grandes mestres da música e interpretá-las, criando uma conexão com a obra, caso contrário, o artista será apenas um “robô”.

Diante disso, esta se torna uma cinebiografia exemplar que todo gênio da música ou de qualquer outra área artística merece. "Tár" é um estudo de personagem que não busca expor os feitos listados em qualquer página Wikipedia. Se por um lado as 2 horas e meia são um exagero, o ritmo lento faz jus ao impor uma condução rigorosa que emula toda a pompa e soberba de uma maestro como Tár. Field encontra o seu próprio tempo para desfilar seus maneirismos diante de uma fotografia de tons cinzentos e uma Blanchett imponente a cada nova cena. Ao final, lamentamos que ela não exista de verdade, pois o seu fim é deliciosamente sádico.


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