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“Tempo” não traz o velho M. Night Shyamalan de volta, mas entretém | #CineBuzzIndica

Diretor de “O Sexto Sentido” ainda não volta à excelente forma do início de carreira, mas realiza um suspense intrigante

Angelo Cordeiro | @angelocinefilo Publicado em 29/07/2021, às 09h00

"Tempo" não traz o velho M. Night Shyamalan de volta, mas entretém | #CineBuzzIndica - Divulgação/Universal Pictures
"Tempo" não traz o velho M. Night Shyamalan de volta, mas entretém | #CineBuzzIndica - Divulgação/Universal Pictures

Quando o voo 815 da Oceanic caiu na ilha de "Lost", deixando dezenas de pessoas sem ter como sair dali, foi necessário que seis temporadas se passassem para sabermos o que estava acontecendo com aqueles personagens e quais mistérios aquela ilha guardava – e olha que nem todos são revelados. 

Em “Tempo” (“Old” no original), novo filme do diretor M. Night Shyamalan (“Fragmentado”), uma família sai de férias e se hospeda em um resort paradisíaco. No local, eles ganham a oportunidade de visitar uma praia acessível para poucos convidados. Em pouco menos de 2 horas, saberemos o fim daqueles personagens e os mistérios que se passam naquele local.

A comparação entre “Lost” e “Tempo” se limita ao “pessoas numa praia com coisas estranhas acontecendo, enquanto elas – e nós também – tentam entender o que se passa”. Ah, tem outra semelhança: o ator Ken Leung, que interpretou o clarividente Miles na série, também está no filme.

Inclusive, vale notar como o elenco traz nomes com os quais Shyamalan não está habituado a trabalhar, como Gael García Bernal (“Amores Brutos”), Vicky Krieps (“Beckett”), Alex Wolff (“Hereditário”) e Thomasin McKenzie (“Noite Passada em Soho”). Ainda, à exceção de Wolff, os demais atores não costumam aparecer em filmes de terror/suspense, dando ao espectador uma sensação de: eu nunca vi essas caras numa situação assim, como eles irão se comportar?

Essa sensação fica ainda mais evidente quando o diretor leva sua câmera para o meio da ação e do horror que acontece na praia misteriosa. Shyamalan filma planos-sequência nos quais persegue os personagens e se aproxima deles como se questionasse: o que você vai fazer agora?

O mais interessante de “Tempo” está em como Shyamalan trabalha com um artifício tão traiçoeiro quanto o tempo sem se preocupar em ser científico demais. Quando se fala sobre passagem de tempo, uma coisa ou outra podem ficar pelo caminho, portanto, até o espectador mais questionador terá de abrir mão de algumas perguntas que, cientificamente, teriam resposta. Shyamalan não está a fim de responder a todas elas.

A história é uma adaptação da HQ “Castelo de Areia”, do escritor Pierre Oscar Lévy e do ilustrador Frederik Peeters, e em seu roteiro, Shyamalan não busca dar ao espectador explicações a nível de algo que Christopher Nolan (“Tenet”) faria, o que ele faz é: dar ao espectador as informações necessárias para que este consiga se envolver com aquelas personagens, temer por elas e se surpreender com o que cada uma delas é capaz de fazer em uma situação de extremo desespero.

Com isso, as surpresas não param – prepare-se para virar o rosto em momentos mais pesados -, “Tempo” é nitidamente um filme no qual o diretor parece se divertir ao observar aquelas personagens apavoradas enquanto elas vão envelhecendo sem saber as razões daquilo, e suas intenções para conosco são as mesmas: divirtam-se!

Dessa forma, “Tempo” é um Shyamalan típico: coisas bizarras acontecem, personagens tentam entender e, ao final, tudo se explica. E se por um lado o filme está longe de trazer o velho – com o perdão do trocadilho – diretor de “O Sexto Sentido” e “A Vila” de volta, por outro lado, é uma sessão que entrega ao seu fã exatamente aquilo que ele busca: entretenimento.