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Embalado por nostalgia e heroísmo, "Top Gun: Maverick" é celebração do cinema enquanto espetáculo | #CineBuzzIndica

Blockbuster protagonizado por Tom Cruise estreia oficialmente nos cinemas nesta quinta-feira (26)

ANGELO CORDEIRO | @ANGELOCINEFILO Publicado em 25/05/2022, às 12h15

Embalado por nostalgia e heroísmo, "Top Gun: Maverick" é celebração do cinema enquanto espetáculo - Divulgação/Paramount Pictures
Embalado por nostalgia e heroísmo, "Top Gun: Maverick" é celebração do cinema enquanto espetáculo - Divulgação/Paramount Pictures

É curioso pensar que “Top Gun: Maverick” é um filme que tem mais a cara e a personalidade de seu protagonista Tom Cruise do que do diretor Joseph Kosinski, que já havia assinado a direção de “Tron - O Legado” e de “Oblivion”, este segundo uma parceria com Tom que já caiu no ostracismo. Junto de Jerry Bruckheimer, prolífico produtor no gênero da ação, conhecido por filmes como “Piratas do Caribe”, “Armagedom”, “A Rocha”, entre vários outros, Tom é mais do que apenas produtor e protagonista, ele toma para si o papel de herói do gênero.

É como se ele fosse o John Wayne da ação contemporânea. Um norte-americano viril e heróico que simboliza e defende os interesses do país imperialista, ainda que seu Maverick tenha um quê de rebeldia. Rebeldia essa que, se no clássico de 1986 era encarada como irresponsabilidade e arrogância, agora, 36 anos depois, dá charme a ele. Mais maduro, Maverick ainda tem adicionado a si o carisma intrínseco a Tom, em plena forma prestes a completar 60 anos. Como um herói, ele realiza as acrobacias mais improváveis e nada comuns para o homem médio: é ele quem pilota o helicóptero que o leva para apresentar o filme em sua primeira exibição oficial no Festival de Cannes deste ano.

Note como “Top Gun: Maverick” é apresentado e servido como um prato raro. Algo que deve ser degustado da melhor forma possível e no tempo certo. A opção de Tom em não lançar o filme nos streamings só evidencia isso. Se Vinicius de Moraes dizia “que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”, Tom pode declarar “que me desculpem os streamings, mas uma sala de cinema é essencial para um blockbuster”. E ele está com toda razão ao prezar por essa experiência e acerta por entender que seu - sim, dele - “Top Gun: Maverick” é cinema espetáculo.

Na história, Pete "Maverick" Mitchell (Tom Cruise) trabalha há mais de 30 anos como um dos principais aviadores da Marinha rompendo os limites como um piloto de testes corajoso. Ao ser convocado para uma nova missão na Academia Top Gun, Maverick deverá treinar os melhores pilotos e preparar uma equipe para uma missão mortal, mas os desafios desta missão em uma nação que sequer ganha nome - importa? não - nem se comparam aos traumas de seu passado.

Se por um lado o roteiro do filme não é nada original - nem perto disso, pois ressignifica momentos-chave do “Top Gun” original para potencializar o impacto da obra em seu espectador -, por outro lado, o enredo dá estofo ao Maverick de Tom. Um acerto enorme. Diferentemente do original, um filme que estava muito mais preocupado com a estética ensolarada de Tony Scott e que se enquadrava no padrão de blockbuster que os anos 80 se acostumaram a produzir, este novo capítulo vem carregado de drama e de personagens desenvolvidos com mais cuidado.

Não demora a notarmos que a morte do colega Goose no filme anterior ainda atormenta nosso herói-protagonista, e ela vem personificada em Rooster, filho de Goose, interpretado por Miles Teller. A princípio, a relação entre Rooster e Maverick é bastante conflituosa. Maverick sente culpa pela ausência que causou ao jovem, enquanto Rooster é dono do mesmo estilo rebelde que Maverick desfilava há 36 anos. É uma história cíclica que não se envergonha em emular o clássico. O jogo de vôlei dá espaço ao “jogo de eguipe”. A ida de Maverick à academia Top Gun novamente acontece com surpresa. A cena do bar com o interesse amoroso vem embalada por uma canção.

Além dos novos nomes no elenco como Teller, Jennifer Connelly, Jon Hamm e Glen Powell, o maior frescor está nas sequências de ação que evoluíram progressivamente nos últimos anos e que condizem melhor com o cinema de hoje. Melhor até. Filmes recentes como “Midway - Batalha em Alto Mar” e “Capitão Sky e o Mundo de Amanhã” sequer chegaram perto do que é realizado aqui. Se a ação do longa antecessor era mais tímida, sinal de seu tempo, agora ela é exuberante, tensa e realista. E ter Hans Zimmer na trilha sonora deixa tudo ainda mais emocionante.

Emoção é a palavra certa para definir “Top Gun: Maverick”. Para os saudosistas, a palavra que melhor o definirá é nostalgia. Afinal, estão ali as lembranças de Goose, as baladas tocadas no filme anterior, a voltinha de moto com a garota na garupa, e o retorno de personagens como o Ice, de Val Kilmer, apresentado de forma bastante carinhosa e que poderá surpreender àqueles que não sabiam da condição do ator - para tal, recomendo o documentário “Val”, disponível no Prime Video - tudo isso vem embalado nesse pacote de blockbuster.

Em suma, "Top Gun: Maverick" pode não estar no nível de "Titanic" e "Tubarão" em se tratando de blockbusters, mas diria que está para os recentes "Jurassic World" e "Star Wars: O Despertar da Força": visita e ressignifica o passado adicionando novos temperos, um deles a nostalgia, dramatizando situações e personagens que outrora sequer existiam e transformando a experiência de conferi-lo em uma sala de cinema em espetáculo. É a fórmula perfeita para os blockbusters nos dias atuais.


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