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Apesar de genérico, “A Hora do Desespero” entrega o que se espera: tensão | #CineBuzzIndica

Filme estrelado por Naomi Watts chega aos cinemas nesta quinta-feira (9)

ANGELO CORDEIRO | @ANGELOCINEFILO Publicado em 08/06/2022, às 12h50

Apesar de genérico, “A Hora do Desespero” entrega o que se espera: tensão - Divulgação/Paris Filmes
Apesar de genérico, “A Hora do Desespero” entrega o que se espera: tensão - Divulgação/Paris Filmes

“A Hora do Desespero” poderia ser daqueles filmes lançados próximo ao dia das mães, afinal, na história, Naomi Watts interpreta uma mãe que fará de tudo para salvar seu filho após um incidente na escola em que o garoto estuda. Aliás, a escolha da atriz como protagonista se justifica por seu histórico no cinema. Não há outra mãe que defenda mais seus filhos do que Naomi Watts. Em “O Chamado” ela defende seu garotinho de um espírito macabro; em “Luce” ela é a mãe adotiva de um esportista genioso; e em “O Impossível” nem mesmo um tsunami é capaz de pará-la.

Mas “A Hora do Desespero” não é uma homenagem às mães, pelo menos não intencionalmente, seu lançamento chega em um timing ainda mais preciso e necessário. Após o recente tiroteio em uma escola do Texas que vitimou ao menos 19 crianças e duas professoras, o longa do diretor Phillip Noyce é daqueles filmes que alerta o mundo sobre o perigo e o medo de uma população imensamente armada. É um tema bastante delicado e que para os norte-americanos faz ainda mais sentido, apesar de no Brasil o discurso armamentista ter ganhado força nos últimos anos.

A mensagem de alerta é bastante óbvia, e o roteiro nem se prende tanto a ela, apesar da gravação que surge junto dos créditos finais, bem da verdade, “A Hora do Desespero” é o que eu enquadraria em “thriller de telefone”, ao melhor estilo “Locke”, “Culpa” e o mais conhecido “Por um Fio”, sendo uma daquelas histórias nas quais a ação se desenvolve em um determinado ponto, que nunca enxergamos, enquanto o protagonista que acompanhamos tenta fazer de tudo para evitar que o pior aconteça do outro lado da linha.

O roteiro de Chris Sparling, do bom “Destruição Final: O Último Refúgio”, está interessado em fazer com que o espectador torça desesperadamente pela personagem de Naomi Watts. O que não é difícil. Logo ficamos sabendo o que está acontecendo na escola do filho da personagem, automaticamente imaginamos outras mães que, assim como ela, passaram pela mesma situação. A empatia é natural.

Nesse trajeto, é óbvio que os clichês estão ali: um sinal de GPS que cai, uma torção no pé que atrasa a protagonista, uma ajuda conveniente que cai do céu, mas um nome experiente como Phillip Noyce na direção faz a diferença. Não que o diretor de duas adaptações de Tom Clancy para os cinemas (“Jogos Patrióticos” e “Perigo Real e Imediato”) torne “A Hora do Desespero” um primor técnico apenas por ser quem ele é, mas Noyce sabe por onde conduzir sua protagonista e, consequentemente, nos conduzir.

Em suma, “A Hora do Desespero” não deixa de ser genérico em muitos de seus aspectos, seja na resolução que, embora questionável, mostra até que ponto uma mãe desesperada pode ir, como também em sua condução, que não abandona convenções de um gênero que fez muito sucesso nos anos 90, fazendo cidadãos médios heróis por pelo menos um dia - neste caso, por uma hora - entregando o que se espera dele: bastante tensão.


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