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"Cinderela", com Camila Cabello, erra ao tentar ser um musical | Crítica

Longa chegou ao Amazon Prime Video nesta sexta-feira (3)

Henrique Nascimento | @hc_nascimento Publicado em 03/09/2021, às 09h00

"Cinderela", com Camila Cabello, chegou ao Amazon Prime Video nesta sexta-feira (3) - Divulgação/Sony Pictures
"Cinderela", com Camila Cabello, chegou ao Amazon Prime Video nesta sexta-feira (3) - Divulgação/Sony Pictures

Versão moderninha do conto da gata borralheira, chegou ao Amazon Prime Video, nesta sexta-feira (3), "Cinderela", que marca a estreia da cantora Camila Cabello como atriz. Vendido como uma adaptação ousada da história já tão conhecida por todos, além de ter sido escrito por Kay Cannon, roteirista da trilogia "A Escolha Perfeita", uma das melhores comédias musicais recentes, a produção é uma divertida comédia, mas falha em seu principal aspecto: ser um musical.

Antes de tudo, os pontos positivos: no que parece ser uma versão encantada de si mesma, Camila Cabello é o destaque do filme, sem dúvidas. Além de cantar bem - algo que eu não diria em sua época como integrante da girlband Fifth Harmony -, a cantora tem carisma, confiança e uma determinação que, naturalmente, nos faz torcer pela personagem. Em sua pele, Cinderela não é apenas uma órfã injustiçada, sofrendo nas mãos de sua madastra cruel, mas uma jovem determinada a perseguir os seus sonhos mesmo que todos digam o contrário.

A "luta" pelo certo, em um reino antiquado em que as mulheres são vistas apenas para servirem aos seus maridos, também é interessante e rende as maiores piadas, além de uma sutil crítica a convicções que, mesmo hoje em dia, alguns acreditam ainda estarem em voga. Inclusive, é justamente essa "modernização" do conto de fadas que o transforma em uma história que, não fosse pelo seu maior problema, seria uma história bacana de acompanhar.

Porém, é um musical pré-fabricado, com a maioria de suas músicas emprestadas de MadonnaQueenEd SheeranThe White Stripes e muitos outros, o que não faz justiça à história. Quando um musical é feito, as músicas são pensadas junto com todo o resto, para que se encaixem na narrativa como se não percebêssemos que os personagens estão cantando.

Desde grandes produções, como "Os Miseráveis" e "Hamilton", até às mais simples, como a trilogia "High School Musical", por exemplo, são pensadas dessa forma. Se alguma vez você assistiu a algum desses musicais - ou qualquer outro - de uma forma diferente, sinto em dizer que você vem assistindo a musicais da forma errada.

No entanto, há também produções com música, que dizem ser musicais, parecem com musicais, mas não são musicais. É como "Glee" ou a série baseada em "High School Musical". E isso não é um demérito, é apenas uma versão diferente do que poderia ser um musical. E o grande problema de "Cinderela" é trafegar entre os dois gêneros - por assim dizer - sem nunca se estabelecer em nenhum deles.

É verdade, o filme brilha ao apresentar algumas de suas poucas músicas originais, mas quando pede ajuda a grandes músicas pop para contar a sua história, perde todo o seu charme. Era melhor ser apenas uma comédia, sem se arriscar no musical, ou tentar realmente abraçar essa "versão ousada do conto de fadas" e entregar uma verdadeira produção musical. Ao tentar agradar a todos, "Cinderela" acaba não agradando ninguém.