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The Politician: Série de Ryan Murphy para a Netflix fala de assuntos sérios, mas com estilo de dramalhão

Momentos musicais, fluidez sexual e atuações de divas como Jessica Lange e Gwyneth Paltrow: série reúne as maiores características do produtor

Pedro Rocha Publicado em 26/09/2019, às 17h51 - Atualizado às 18h02

Ben Platt como Payton Hobart em The Politician - Divulgação/Netflix
Ben Platt como Payton Hobart em The Politician - Divulgação/Netflix

Para a sua primeira série em parceria com a Netflix, Ryan Murphy não economizou ao juntar, numa mesma produção, todas as suas marcas registradas, que conquistaram o público ao longo dos anos em séries como Glee e American Horror Story.

A Exitoína Brasil já teve acesso aos oito episódios da primeira temporada de The Politician e falamos a seguir, e sem spoilers, sobre o que esperar da série, que chega nesta sexta-feira (27) ao serviço de streaming. 

As expectativas para a primeira parceria de Murphy e a Netflix eram altas. De cara, já podemos adiantar que elas são superadas. The Politician reúne absolutamente tudo que fez sucesso em séries anteriores do produtor. 

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De Glee, Murphy pegou uma trama adolescente envolvente. Ambientada numa escola de elite da Califórnia, a nova série segue a vida de Payton Hobart (Ben Platt), um jovem ambicioso que sonha em ser presidente dos EUA. Para isso, se candidata à presidência dos estudantes do colégio, como parte do seu grande plano para se tornar o líder do país. 

A disputa eleitoral adolescente gera intrigas, brigas e também romances e traições entre os estudantes. O que mais chama a atenção neste último quesito é a naturalidade como questões "tabu" são mostradas na série. A fluidez sexual de alguns personagens adolescentes, e também adultos, não é questionada. Não importa se um garoto tem um caso com um garoto ou se uma mulher tem um caso com uma mulher. Só o que interessa é como a traição influencia a trama, principalmente da eleição de Payton. 

Theo Germaine e Ben Platt em cena. (Divulgação/Netflix)

 

Também de Glee, Murphy volta a apresentar em suas séries números musicais. Há mais de uma cena, dentro da história, em que os personagens soltam a voz. 

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Já de American Horror Story, o produtor traz um clima de suspense. A eleição de Payton, apesar de ser numa escola, apresenta uma série de crimes envolvento ele e pessoas ao seu redor, como a jovem Infinity (Zoey Deutch), que tem câncer e é cuidada de sua avó. 

A avó, aliás, é outro bom elemento que Murphy retoma de AHS. A personagem é magníficamente vivida por Jessica Lange. Sem escrúpulos e bem trambiqueira, ela é uma das principais responsáveis por mover a história e por elevar o nível das atuações. 

Jessica Lage, Ben Platt e Zoey Dutch. (Divulgação/Netflix)

 

Como é de costume nas séries de Ryan, não faltam grandes atores e vencedores do Oscar na trama. Gweyneth Paltrow, que inclusive participou de Glee, faz a mãe de Payton, Georgina Hobart. 

Mas a série não é só sobre figurinhas repetidas. Murphy apenas se utiliza dos seus elementos de maior sucesso para criar algo totalmente novo em The Politician. A estratégia é levar discussões sobre política para jovens. 

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A disputa eleitoral é ambientada numa escola, mas a narrativa poderia muito bem ser transferida para uma disputa eleitoral presidencial, de verdade. Já no piloto, a série explora a podridão de um sistema político, ao mostrar que nenhum dos envolvidos, por mais ingênuo que pareça ser, escapa de defeitos e pecados gerados pela ambição de poder. 

Gwyneth Paltrow vive a mãe do protagonista. (Reprodução/Netflix)

 

Uma frase dita pela personagem de Gwyneth Paltrow ecoa, ao falar de seus maldosos filhos gêmeos. "Você não pode ensinar bondade." 

Apesar do tema sério, tudo é ilustrado de forma divertida, embalado num grande dramalhão. Até o último episódio da temporada, acontecem traições, conjugais ou políticas, disputas familiares, tentativas de assassinato, suicídios, tentativas de suicídio, tiros acidentais, discussões e violência. 

É uma mistura original, mas só peca ao utilizar um mesmo elemento que foi recentemente utilizado em outra produção televisiva, Objetos Cortantes, da HBO.